O apagão e o excesso de criatividade

Primeiro foi um raio, depois falha humana e agora o mais novo provável autor da pane que apagou o Brasil é um hacker. Quanta criatividade em apenas uma semana.

A Folha de S. Paulo de hoje traz mais um personagem para uma história que já está ficando sem graça de tantas especulações e, o pior, continua sem uma explicação aceitável por parte de quem quer que seja. Diz a matéria que o Operador Nacional do Sistema (ONS) estava – até a última quinta-feira – à mercê de “piratas cibernéticos”. Ou seja, um hacker maldoso pode ter invadido o sistema e provocado o apagão.

O governo diz que essa possibilidade – que, de fato, soa mais como uma árdua tentativa da Folha em “parir” uma suíte original do assunto – é remotíssima. É prometido para hoje um relatório sobre a falta de energia ocorrida em 18 Estados na terça passada.

Enquanto aguardamos a explicação oficial, vale ficar com alguns dos poucos palpites racionais e equilibrados do que houve. O professor Luiz Pinguelli Rosa – uma das maiores autoridades em energia do país – aponta a má gestão do sistema como a causa do apagão. Para ele, a chave de tudo é descobrir o que causou a sobrecarga na rede e não o blecaute.

De qualquer forma – com ou sem explicação -, o ocorrido trouxe de volta aquela atmosfera de insegurança em relação ao sistema energético do Brasil, um amargo e rápido “revival” da crise que vivemos no final dos anos noventa. Estaria sua sombra nos rondando novamente?

PS: Só para não deixar de citar as agruras locais, aqui em Alagoas ninguém precisa de raio ou hacker. Nos últimos meses, após o “choque de gestão” de Flávio Decat e seus super-técnicos da Eletrobrás, a Ceal voltou a dar sinais de fragilidade com as longas e constantes interrupções no fornecimento de energia. No último domingo, um fato inusitado: consumidor liga às onze horas da manhã para saber o motivo da falta de energia desde às oito e recebe como explicação da atendente – “está no nosso site”. Melhor se o telefone fosse elétrico.

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Decat, o homem que “enquadrou” a Ceal

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Em junho do ano passado, o engenheiro Flávio Decat, então presidente da Eletrobrás, aceitou a árdua tarefa de por ordem nas sete distribuidoras de energia estatais que conseguiram passar pelo funil das privatizações nos anos noventa.

Decat e seis dos mais renomados técnicos do setor assumiram a gestão da problemática e deficitária Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e das elétricas Ceam (AM), Manaus Energia (AM), Cepisa (PI), Ceron (RO), Eletroacre (AC), Boa Vista Energia (RR). A tarefa do grupo de elite indicado pela Eletrobrás era a de tirar essas empresas da condição de deficitárias. Juntas, elas representavam na época nada menos que um prejuízo de R$ 1 bilhão.

Por aqui, a Ceal vinha de uma gestão extremamente viciada, contaminada pela ingerência política em detrimento de uma administração técnica, que resultou em anos consecutivos fechando no vermelho.

De junho a dezembro de 2008, sob a mão forte da Eletrobrás, a empresa conseguiu reverter o prejuízo de R$ 22 milhões e voltou a fechar no azul – R$ 39 milhões – depois de três anos de déficit. Em entrevista a O JORNAL, Flávio Decat, falou das mudanças implementadas na Ceal que levaram à recuperação, na estratégia adotada para acabar com os vícios arraigados na cultura das estatais, nos investimentos que serão feitos nos próximos três anos e ações para modernizar a gestão da companhia, como um programa de incentivo ao desligamento que tem como meta renovar 30% do quadro.

A Ceal vem de uma sucessão de maus resultados; em 2008, conseguiu ter o primeiro lucro em três anos. A que se deve esse desempenho?
Em primeiro lugar, um desejo obstinado em buscar os resultados que a sociedade espera, compromisso maior de uma empresa pública. Para transformar desejo em realidade, estabelecemos diretrizes empresariais e métodos de trabalho que, aplicados pelos administradores e empregados, propiciam uma melhoria continuada de receita e custos, focadas na qualidade do atendimento aos consumidores e na empresa de referência estabelecida pela agência reguladora, Aneel, para a concessão em Alagoas. Assim, conquistamos uma redução na inadimplência – sendo a mais significativa a negociação com a Companhia de Saneamento de Alagoas – uma pequena redução em perdas (0,79%) que proporcionou uma receita de R$ 7 milhões, melhores preços na aquisição de bens e serviços, dentre outras ações.

Apesar de ter fechado no azul, a companhia ainda possui um índice muito alto de perdas elétricas – mais de um terço. Como se conseguiu obter lucros com perdas tão volumosas?
Realmente temos uma perda expressiva de 30% da energia que adquirimos para atender ao mercado de Alagoas. A redução que obtivemos em 2008 ainda é tímida, razão pela qual vamos investir cada vez mais para chegarmos a um índice de perdas elétricas aceitáveis. Um dos maiores problemas que temos é o furto de energia que encarece a conta para todos e limita a realização de investimentos em melhoria e expansão.

Qual a estratégia que nova gestão tem para combater esse problema?
Estamos implementando um Plano de Ação que contempla a regularização de unidades consumidoras sem medição e perto de 11.000 ligações clandestinas, construção de redes especiais anti-furto – 110 km, telemedição em pontos estratégicos, recursos de telemetria, substituição de mais de 1700 caixas de medição e mais de 20.000 medidores eletromecânicos por medidores eletrônicos, sistema de prospecção de unidades com irregularidade, pontos de iluminação pública e sistema semafórico e campanhas educativas e de combate ao desperdício.

O que mudou dentro da administração da Ceal sob a gestão da Eletrobrás?
A Eletrobrás constituiu uma diretoria de Distribuição que assumiu, como primeiro desafio, reverter, no prazo mais curto possível, o prejuízo bilionário quando somados os resultados em 2007 das seis empresas que foram incluídas no seu portfólio de negócios. Para vencer tal desafio, com clara tendência de agravamento para o futuro, constituímos uma equipe de administração com pessoas experientes, estabelecemos um plano de ação para curto e médio prazos, comum para todas as seis empresas, considerando quando necessário as especificidades de cada uma, promovemos compras integradas, aportamos recursos para deixá-las adimplentes junto aos fornecedores. Enfim, implantamos um modelo de gestão integrada que está orientado para a gestão por processos, focada em resultados.

Como a Eletrobrás está combatendo a tradicional interferência política dentro da Ceal e das outras estatais que passou a gerir?
Esta é uma preocupação que não vem existindo, pois estamos cumprindo uma decisão política emanada diretamente do Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, de melhorar a gestão das empresas distribuidoras de energia elétrica com uma gestão profissional, com técnicos experimentados do setor elétrico. Esta decisão foi compartilhada com os governadores dos estados envolvidos. As soluções técnicas tem tido o aval e o reconhecimento do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e do Presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz.

Houve redução dos numerosos cargos de comissão na Ceal?
Até houve redução, mas isto não é o mais expressivo. O que importa no que se refere à força de trabalho é o dimensionamento adequado, a divisão do trabalho, o desenvolvimento qualitativo e a motivação para bem cumprirmos nosso papel, atendendo as responsabilidades que são atribuídas a cada um dos que atuam nas empresas, dentre elas a Ceal. Estamos em fase de implementação de um programa de incentivo ao desligamento que deverá englobar até 30% do atual quadro de pessoal e abrir oportunidade de trabalho para pessoas mais jovens que por certo absorverão a experiência dos mais antigos, principalmente daqueles que honram o contrato de trabalho que lhes foi oportunizado.

Em que áreas da empresa houve investimento e qual o plano para os próximos anos?
Em 2008, investimos R$ 90 milhões. Para 2009, os aportes de recursos são de R$ 257 milhões, distribuídos no Programa Luz para Todos (R$104,5 milhões), Ampliação do Sistema de Distribuição Alta Tensão (36,0 milhões), Ampliação da Rede Urbana de Distribuição Média e Baixa Tensão (44,0 milhões), Redução de Perdas Técnicas e Comerciais (R$ 27,0 milhões) e Infraestrutura de Apoio (45,5 milhões). De 2009 a 2013, temos investimentos previstos da ordem de 900 milhões.

O senhor está animado com o desempenho das estatais? O que estava errado nessas distribuidoras?
Estou animado pelos desafios que se renovam e pelos resultados que já conseguimos em curto prazo, revertendo um prejuízo de mais de R$ 1,2 bilhão nas seis distribuidoras para um lucro de R$ 53 milhões, em praticamente sete meses de trabalho. Para este resultado a Ceal contribuiu com um lucro de R$ 39 milhões.

Quais as chances dessas empresas se tornarem tão competitivas quanto as da iniciativa privada?
Elas com certeza, a médio prazo, serão competitivas, mesmo considerando limitações que são impostas a empresas públicas quando da comparação com empresas da iniciativa privada.

E quais as chances de se tornarem atrativas ao setor privado? A venda dessas estatais é uma possibilidade?
Os serviços de distribuição de energia elétrica passaram a incorporar o portfólio de negócios da chamada Nova Eletrobrás, razão pela qual não cabe falar em venda de ativos de distribuição. Minha expectativa é que nossos consumidores inadimplentes paguem os valores devidos pela prestação de serviço, fato que somado à redução do furto de energia, dará melhores condições financeiras para a Ceal participar do esforço de desenvolvimento do Estado de Alagoas.

Produção de energias alternativas em Alagoas ainda é utopia

Apesar do governo ter colocado em pauta a questão energética e seguir tentando buscar abrir caminhos para a exploração econômica do setor em Alagoas, a produção de energia renovável no Estado ainda está muito longe de se tornar uma realidade.

A julgar pelos eventos sobre o tema e pela produção dos “atlas energéticos” pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico pode até parecer que somos uma potência das energias alternativas e que só resta explorar. Porém, esse mercado é extremamente espinhoso porque os preços de geração dessas energias perdem de longe em competitividade para a boa e velha hidroeletricidade.

Na próxima sexta, o Estado entrega o atlas da energia solar com o mapeamento do potencial alagoano para esta fonte. Já existe também um da energia eólica. Apesar do esforço de documentar e tentar atrair investidores, o secretário-adjunto e superintendente de Minas e Energia, Geoberto Espírito Santo, reconhece que os dois mercados são inviáveis no momento.

“Queremos atrair investidores pra cá, mas as dificuldades são grandes. Como não há sinalização na matriz energética brasileira em realizar os leilões de energia eólica com regularidade não há fabricantes de equipamentos e tecnologia. Há apenas um que fornece peças a preços extremamente altos”, explica.

Sobre a energia solar, Geoberto é categórico: “Gerar energia elétrica com sol é inviável hoje, pois ela custa oito vezes mais que a hidrelétrica”, diz.

O que estaria mais próximo da viabilidade econômica em Alagoas hoje seriam as usinas de açúcar com a geração de energia por meio da biomassa. Porém, como sempre, para que elas se tornem eficientes na geração é necessário um investimento da ordem de R$ 100 milhões em cada unidade industrial.

“Hoje, as usinas que produzem energia com bagaço de cana aqui em Alagoas geram 24 killowatt/hora por tonelada de cana, quando o ideal é 90 kw/h”, afirma o secretário-adjunto.

Além de tudo isso, há a crise atual, em que ninguém do setor sucroalcooleiro está com capacidade de endividamento e o problema técnico de termos um período de colheita de seis meses. Seria uma produção de energia sazonal.

Com tantas dificuldades, tudo indica que, por um bom tempo, este mercado aqui em Alagoas fique restrito aos mapas energéticos produzidos pela Sedec.

Eletrobrás reverte prejuízo da Ceal, mas perdas elétricas continuam altíssimas

Após subir em 2005, quando conseguiu romper com sete anos de prejuízos; descer vertiginosamente no ano seguinte com um rombo surpreendente de R$ 136 milhões e, em 2007, subir mais um pouquinho conseguindo reduzir o déficit em 83% (mas ainda assim fechando no vermelho), a Ceal volta a enxergar a luz no fim do túnel.

Pelas mãos da Eletrobrás, a companhia fechou no azul novamente depois de três anos de pura agonia. O balanço publicado nos jornais de hoje mostra um lucro de R$ 39 milhões no ano de 2008. Um ótimo resultado diante do prejuízo de R$ 22 milhões do último exercício da era Joaquim Brito, em 2007.

O bom desempenho talvez seja uma demonstração de que o que realmente faltava na estatal era uma gestão conduzida com mão forte, sem tanta política e permissividade.

Apesar do lucro, um problema ainda continua insolúvel na administração de Flávio Decat – o imenso volume de perdas de energia. Elas chegaram a crescer ainda mais no ano passado e ultrapassaram os 30%. Mais de um terço da energia que a Ceal compra continua indo para o ralo.

Resolver este problema foi, inclusive, colocado como uma das prioridades pelo presidente da Eletrobrás assim que assumiu a gestão da companhia aqui em Alagoas, no ano passado. Com um faturamento de cerca de R$ 800 milhões, a Ceal vem perdendo nada menos que R$ 160 milhões. “Nenhuma empresa pode sobreviver a isso!”, disse na época.

Pois é, mesmo no azul, ainda é cedo para comemorações.

Eletrobrás avisa: investimentos na Ceal só após reequilíbrio nas contas

Após participar da reunião do Conselho Estadual de Política Energética (CEPE), o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, deixou claro que a companhia não está mais disposta a desperdiçar recursos nas sete federalizadas que agora estão sob o seu comando direto. Foram bilhões e bilhões por ano durante muito tempo.

Depois de ouvir do governo do Estado o pedido de R$ 300 milhões em investimentos na Ceal nos próximos dois anos, Muniz mostrou que a porteira dos recursos não está aberta ainda. Primeiro a distribuidora vai ter que ir atrás do prejuízo e recuperar dinheiro de inadimplência e das imensas perdas elétricas que chegam a quase um terço por ano.

“A Ceal vinha degradando de uma forma que não tinha condições de receber investimentos. É preciso que essas condições sejam criadas a partir de agora”, afirmou o presidente da Eletrobrás ressaltando que não acha “impossível” que o Estado receba os recursos que pediu, mas que tudo tem que ser planejado.

Geoberto Espírito Santo, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, diz que esses investimentos no sistema da Ceal são urgentíssimos, pois hoje ele já apresenta sinais de exaustão e com o crescimento no consumo esse quadro pode se agravar.

Os R$ 300 milhões solicitados pelo governo seriam utilizados em reforço de linha para atender sub-estações e no aumento do suprimento para atender novas demandas como o Canal do Sertão e o projeto Bálsamo. O que pode ocorrer é não haver energia disponível para todo mundo, diz Geoberto.

Eletrobrás assume gestão da Ceal

O engenheiro Flávio Decat e mais seis técnicos indicados pela Eletrobras assumiram ontem a gestão da Companhia Energética de Alagoas (Ceal). A partir de agora, a distribuidora faz parte de uma holding composta pelas sete empresas de energia federalizadas que passam a ter uma administração unificada. Deixaram de existir ontem a presidência e as cinco diretorias locais. O corpo técnico que tomou posse administrará a empresa do Rio de Janeiro, onde fica a sede da controladora.

Em seu discurso de posse, Decat, fez questão de descer do pequeno palco do auditório onde a cerimônia foi realizada e realizar um discurso olho no olho. Na platéia, os funcionários da companhia até trocaram algumas palavras com o novo presidente, que foi enfático ao dizer que a unificação das federalizadas só está ocorrendo porque elas estão extremamente deficitárias e só davam prejuízo à Eletrobrás.

“As federalizadas eram um problema, de fato. Esse é um quadro que está sendo revertido nesse momento. A partir de agora, a distribuição passa a fazer parte do portfólio da Eletrobrás e essas empresas passam a ser encaradas como negócio, elas terão que dar lucro”, disse Decat, que elogiou discretamente a gestão de Joaquim Brito, mas ressaltou que ele não conseguiu reverter a condição cambaleante da distribuidora.

Segundo o novo presidente das federalizadas, apenas a companhia alagoana necessita nos próximos dois anos de investimentos da ordem de R$ 300 milhões para se tornar uma empresa dentro dos padrões normais. Ele criticou o volume imenso de energia que a Ceal perde todos os anos. “A Ceal tem um faturamento de R$ 800 milhões e perde R$ 160 milhões por ano! Nenhuma empresa pode sobreviver a isso!”, afirmou.

A Eletrobrás não vai nomear “cabeças” locais para chefiar a Ceal. Segundo Flávio Decat, todas as federalizadas terão grupos gestores formados por funcionários de origens diversas. O grupo alagoano certamente terá gente, por exemplo, da Cepisa, do Piauí, o da Ceam, no Amazonas. Mesmo com a diretoria sediada no Rio de Janeiro, o engenheiro rebate a idéia de “administração à distância” e diz que tanto ele quanto os cinco novos diretores estarão sempre presentes aqui em Alagoas.

Decat disse ainda que seu estilo de gerir é direto e justo e que não gosta de ficar “enrolando” sindicatos ou funcionários. Ele prometeu resultados rápidos e disse que ainda este ano apresentará mudanças positivas na Ceal. “A situação é muito grave, não podemos perder tempo”, afirmou.

Numa demonstração dessa rapidez, o novo presidente ressaltou a urgência do pagamento da dívida que a Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento de Alagoas (Casal) tem junto à distribuidora. O débito é de R$ 5 milhões. “Já fizemos um apelo ao secretário de Desenvolvimento Econômico, em Brasília, na semana passada e hoje voltarei a falar do assunto com o governador”, observou.

Sobre as especulações de que a unificação da gestão das federalizadas seria uma preparação para uma futura privatização das sete companhias, Decat responde bem humorado. “Isso não está nos planos. Se fosse pra privatizar nós não estaríamos aqui”, diz.

Destoando do clima festivo e da evidente empolgação dos funcionários, o ex-presidente da Ceal, Joaquim Brito, estava evidentemente triste e fez um discurso emocionado – em que citou a Bíblia e até Fernando Pessoa – ao deixar o cargo que exercia desde abril de 2003.

Brito fez críticas à forma como eram encaradas as distribuidoras federalizadas dentro da Eletrobrás e disse que a incorporação das companhias deveria ter ocorrido há mais tempo. “É uma decisão acertadíssima que vai permitir um melhor acompanhamento, mais investimentos e a troca de experiências”, disse.

Com a mudança, o eletrotécnico Joaquim Brito continua na empresa, mas perde o salário de R$ 17 mil que ganhava como presidente.

O marco zero da Ceal

Segunda-feira é o dia da mudança. Caem os cinco diretores (com respectivos assessores) e o presidente da Ceal, Joaquim Brito, e entra em cena o “super-gestor” das sete companhias de energia federalizadas, Flávio Decat. Com ele, a Eletrobrás entra no mercado de distribuição.

Aqui em Alagoas, o clima é de “expectativa e confiança”, nas palavras de Brito, que parece ainda não ter certeza de que esse novo modelo seja o melhor para a empresa. Para ele, a partir do dia 2, a Ceal viverá uma espécie de laboratório.

A grande ansiedade nos corredores da distribuidora é compreensível. Até agora, o “teor” da nova política administrativa ainda é mantido a sete chaves. “Não sabemos como será a partir de agora, se haverá uma gestão local ou se tudo será feito à distância”, diz o atual presidente.

De qualquer forma, a esperança é a de que o novo gestor coloque a companhia de volta aos trilhos da competitividade, que faça com que os milionários aportes de capital não se diluam como até então e que a técnica, finalmente, esteja acima da política.