Maceió agora tem dois shoppings “de verdade”

Está marcada para amanhã a inauguração do shopping Pátio Maceió, que vai abrir com cem lojas.As expectativas – de todos os tipos – são imensas em relação ao novo empreendimento. Uma terra carente como Alagoas espera quase tudo de um investimento como este, principalmente empregos.

Mas vamos lá ao que interessa que é responder, finalmente, à questão – estará mesmo Maceió [e mais, a parte alta da cidade] pronta para manter um outro shopping? Quantas lojas de departamento se sustentam aqui? Quantos cinemas e praças de alimentação?

Apesar de estar cansada de ouvir todo o blá-blá-blá de que os programas de transferência de renda tornaram as classes menos abastadas um nicho de vorazes consumidores e que a bancarização e o fácil acesso ao crédito escancararam as portas de uma demanda reprimida desde sempre, preciso ver para crer certas mudanças. E dois shoppings centers “de verdade” operando sem percalços numa capital como Maceió é uma delas.

É esperar para crer.

Lições que a crise pode ensinar ao Turismo

Se a crise vai afetar a enxurrada de empreendimentos anunciados desde o ano passado incansavelmente não pelos investidores, mas pelo governo do Estado? A resposta é: ela já afetou! Mas o que está em jogo agora não é o inevitável efeito de algo externo, superior às vontades e aos interesses do mercado, mas se o setor não pode tirar proveito da crise.

A crise dói quando se olha apenas para a possibilidade de perder os investimentos, mas, muito dificilmente, empreendimentos de grande porte como o do grupo Invest Tur, em Passo do Camaragibe, o lendário ‘Ondazul’, serão cancelados de fato. No máximo, uma parada estratégica ou talvez um realinhamento no perfil do negócio. É bom lembrar que a demanda continua aí e, apesar da crise, o potencial de Alagoas não deixou de ser atrativo, mas terá que esperar mais um pouco pelo “boom” dos mega-resorts e hotéis de seis estrelas.

Neste momento, o ideal para o trade local e para os entes públicos é traçar um plano para se dar bem no momento atual, que, para o turismo não é de todo ruim. O dólar está mais caro, as viagens internacionais também, as pessoas estão mais inseguras. O reflexo disso tudo está aí nos hotéis de Maceió, um prolongamento de uma temporada muitíssimo boa, com altas taxas de ocupação.

É preciso se voltar para o que sempre foi o forte de Alagoas, o turismo regional. Pensar em como trazer visitantes de Estados que não costumam vir pra cá, como os do Norte e alguns dos Sul e Sudeste, como mineiros e gaúchos, é tão importante quanto a pedra fundamental de algum resort estrangeiro. Se for acompanhada e vivida com inteligência, a crise pode deixar valiosas lições e, quem sabe, até valiosos ganhos para o setor.

Alagoas e o “turismo de pousada”

Demorou, mas o governo atentou para os importantes dados de uma pesquisa da UFAL, coordenada pelo professor Cícero Péricles, que apontou o imenso potencial para o turismo de pousada no litoral Norte do Estado.

É grande o número de pequenos empreendimentos que só precisam de acesso facilitado ao crédito e orientação técnica para formar na região um produto de excelente apelo ao visitante. Estrangeiro, principalmente.

O problema, como reconheceu o próprio secretário de Turismo, Virgínio Loureiro, é que “o setor está órfão”. Tudo indica que a parceria firmada entre o Estado e a universidade para a formatação desse produto, que, na verdade, já existe, mas precisa ser qualificado.

Para Cícero Péricles, é uma oportunidade de se criar um produto com a marca de Alagoas, que identifique e destaque o Estado no meio de tanta praia, sol e resort na região Nordeste.

Tem tudo para dar certo, mas é preciso uma integração entre as secretarias ligadas ao setor, não só Turismo, mas Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Infra-Estrutura. A dúvida que paira é a seguinte: as diferenças serão esquecidas em nome de um bem maior?

Pólo de TI agoniza antes de sair do papel

O pólo pernambucano de tecnologia da informação “Porto Digital” é uma referência dentro e fora do Brasil quando se trata de organização e fomento ao segmento de TI, que é um dos que mais crescem no mundo. Localizado estrategicamente no bairro do Recife antigo, o centro é considerado um dos melhores parques tecnológicos do País e se tornou um importante vetor de crescimento econômico em Pernambuco.

Também muito perto de Alagoas, um outro estado avança no mesmo segmento e aproveita a abertura desse mercado. Sergipe acaba de fechar um acordo na área de tecnologia da informação e inclusão digital com a Microsoft Brasil. Entre as propostas do acordo estão a criação de um centro de inovação em parceria com a Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec), cursos de formação digital para a rede pública estadual e a instalação de um laboratório de interoperabilidade com a universidade federal.

Esses mesmos sergipanos que agora começam a consolidar o seu pólo estiveram aqui há cerca de três anos para conhecer o Arranjo Produtivo Local (APL) de TI e as ações para a criação do pólo alagoano, batizado de Cais Tecnológico. Os anos passaram, Sergipe avançou e Alagoas não conseguiu fazer o projeto deslanchar.

O resultado disso, um APL engessado, um pólo que só existe no plano das idéias, empresários indo embora atraídos para outros centros ou então extremamente frustrados por verem uma grande oportunidade de crescimento do setor ser desperdiçada.

O empresário e presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia de Informação, Software e Internet (Assespro Regional Alagoas), Jean Paul Neumann, conta que a idéia – encabeçada inicialmente por oito empresas – era aproveitar a força do segmento local, que estava desarticulado, e integrar universidade e governo numa ação de fortalecimento das empresas locais e atração de investimentos.

“Empresas internacionais como IBM e Nokia destinam parte de seu faturamento para investimentos em inovação. Organizar o segmento alagoano num pólo seria uma forma de captar esses recursos”, afirma Jean Paul.

A exemplo do Porto Digital, em Recife, o projeto do Cais Tecnológico prevê a criação de um centro no bairro histórico de Jaraguá. “É o lugar ideal por ser uma área central, movimentaria a economia da região, que é próxima aos hotéis, tem fibra ótica passando por todo o bairro, um conjunto de faculdades funcionando lá e uma área carente que poderia ser beneficiada”, conta.

O projeto foi criado, apresentado incansavelmente a secretários de Estado desta e da gestão anterior, aconteceram missões técnicas aos principais pólos do País, como o da Paraíba e do Rio Grande do Sul, mas nada passou de disso.

Segundo Jean Paul, o projeto foi apresentado ao governador Teotônio Vilela Filho, que, apesar de se mostrar entusiasmado com a idéia, não liberou sequer os R$ 100 mil necessários para a elaboração do mais básico; o plano de negócios e o projeto técnico.

“Precisamos dessas duas coisas para apresentar o Cais Tecnológico a quem pode entrar com recursos no pólo, como Finep, Cnpq, BID, Microsoft… Sem isso, o pólo é apenas uma idéia, pois não temos nada para mostrar”, afirma o empresário.

Enquanto o APL de TI não consegue viabilizar sequer a elaboração de um plano de negócios, os outros estados seguem aproveitando o crescimento do setor e criam os seus pólos. A Bahia, por exemplo, está investindo R$ 15 milhões na implantação da Tecnovia, o pólo de tecnologia da informação de lá.

Diante disso, os empresários locais se sentem desestimulados. “Estamos desacreditados não da idéia do Cais Tecnológico, mas de apoio. Um ano se passou desde que pedimos os recursos para financiar o plano de negócios e o pedido foi negado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). O que podemos concluir que este setor, que poderia gerar riquezas, empregos e diversificar a economia de Alagoas, não é uma prioridade do governo. A verdade é que estamos perdendo dinheiro”, reclama Jean Paul.

O coordenador estadual do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), Fábio Leão, explica que os recursos solicitados vão ser liberados apesar da demora. Segundo ele, o pedido foi negado pela PGE porque previa dispensa de licitação numa situação sem justificativa. “O governo vai disponibilizar os recursos e será aberta licitação”, afirma.

Leão reconhece que o próprio Estado poderia ter avançado “um pouco mais” no APL de TI, mas ele ressalta que alguns pontos fundamentais precisam ser definidos no projeto do Cais Tecnológico, como que tipo de organização ele será. “Em Recife, o Porto Digital é uma Oscip, mas para conseguir ser uma organização como essas, leva muito tempo, não é da noite para o dia”, diz.

Enfim, uma boa notícia!

 

Um reconhecimento que chega numa hora importante. Após perder o apoio financeiro do governo do Estado – que nesta gestão não liberou um centavo sequer à instituição -, o Banco do Cidadão vai firmar uma parceria com o governo federal para operacionalizar uma linha de microcrédito para beneficiários do Bolsa-Família.

 

O novo programa deve entrar em operação até o final do ano, após a bancarização dos beneficiários, e tem como meta dar sustentabilidade às famílias atendidas por meio do estímulo à geração de pequenos empreendimentos.

 

Anteontem, uma comitiva formada por representantes da Caixa Econômica Federal (CEF), Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esteve em Maceió para conhecer de perto a experiência e a metodologia que o Banco do Cidadão desenvolve em Alagoas há quatro anos.

 

O coordenador do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), José Humberto Lira, disse que o governo federal veio aqui ver de perto o que é possível ser feito para dar escala ao programa do banco e ampliar o atendimento à população carente. “O trabalho do Banco do Cidadão é digno de louvor por ser um programa de educação financeira. É uma iniciativa muito exitosa que precisa contar com o apoio de entes públicos, de mais agentes, para que cresça e seja um modelo”, afirmou Lira, após visitar clientes do banco.

 

A lógica de funcionamento do novo programa do governo federal ainda não está fechada. Não se sabe, pro exemplo, se algum banco oficial, como a Caixa, financiaria também esses microempreendedores junto com as Instituições de Microcrédito Financeiro (IMFs), como o Banco do Cidadão.

 

O presidente da instituição, Pedro Verdino, acredita que as IMFs deverão tocar sozinhas a iniciativa pelo fato de possuírem o instrumental para trabalhar com esse público. Um trabalho muito mais complexo, segundo ele, pelo fato de envolver uma preparação mais prolongada dos candidatos ao microcrédito.

 

“Esse é um público muito diferenciado do que é atendido pelo microcrédito tradicional. O tempo para qualificar essas pessoas é maior e o risco desse crédito também. É um programa perfeito para as IMFs não governamentais e aqui em Alagoas somos a instituição mais credenciada para fazer esse trabalho”, afirma Verdino.

 

A linha de microcrédito para os beneficiários do Bolsa Família será financiada pela Caixa Econômica Federal, que irá repassar os recursos às instituições responsáveis pelo programa em cada estado. Além do aporte para os financiamentos, o governo federal também vai cobrir os custos das operações.

 

Para Pedro Verdino, implementar esse programa aqui em Alagoas é uma vitória para o Banco do Cidadão. “É um reconhecimento muito importante para a instituição, que passará a ter condição de dar conta dessa grande demanda existente no Estado”, afirma o presidente do banco.

 

Durante a visita aos clientes do banco, o coordenador geral do Programa Bolsa Família no MDS, Franco Bernardes, disse que ficou impressionado com a experiência da instituição no Estado pelo fato de conseguir chegar a uma faixa da população que está mesmo à margem de tudo e pela baixa inadimplência.

 

 

Além de conhecer a experiência de Alagoas, o grupo de trabalho também vai ver de perto o programa de uma instituição de Santo André, no interior paulista. A parceria com o Banco do Cidadão deve ser oficializada nos próximos noventa dias, quando o governo federal tiver iniciado a abertura das contas-correntes dos beneficiários do Bolsa Família.       

Grubisich deixa Braskem e Gradin assume presidência

Acabo de receber o comunicado da Odebrecht anunciando a saída de José Carlos Grubisich, que assume a presidência da ETH Bioenergia S.A., empresa que consolida os investimentos da Odebrecht no negócio Açúcar e Álcool. Bernardo Gradin assume a presidência da Braskem.

Bernardo Gradin, na Organização desde 1987, é engenheiro civil com MBA pela Wharton Business School, trabalhou na CNO até 2000, tornando-se Presidente da empresa de vinílicos Trikem S.A. Depois de participar do processo de compra da Copene e da equipe de José Carlos Grubisich, que criou a Braskem, assumiu, como Vice-Presidente da empresa, a liderança da Unidade de Insumos Básicos.

Grubisich deixa a companhia após sete anos.

Braskem redesenha estrutura organizacional

A Braskem passa por um redesenho da estrutura existente desde 2002. A petroquímica reduziu áreas e excluiu funções passando a ter quatro unidades de negócio, ao invés de sete e incorporando executivos da Petrobras em corpo de funcionários.

Petroquímicos básicos, polímeros, internacional e novos negócios. Cada unidade dessas fechará resultados individualmente nos próximos balanços.

Segundo o Valor de hoje, a unidade de petroquímicos básicos incluirá as operações das centrais de matérias-primas das antigas Copene, em Camaçari, e Copesul, no pólo de Triunfo.

A área de polímeros englobará as produções próprias de resinas termoplásticas e a unidade internacional responderá pelos projetos fora do país, como os negócios na Venezuela.

Mais tarde, às onze horas, o presidente da petroquímica, José Carlos Grubisich, dá coletiva nacional para falar sobre as mudanças.