Portugueses produzirão biodiesel em Petrolina

Cem milhões de reais é o investimento que o grupo português HLC Enviromental Holdings vai fazer na revitalização da Companhia de Biodiesel do Vale de São Francisco (Biovasf), no município pernambucano de Petrolina.

A antiga fábrica de processamento de óleos vegetais estava desativada há três anos, mas já tem nova data para entrar em operação, março do próximo ano. A Biovasf vai fabricar biodiesel e óleos vegetais de soja, algodão e mamona. Por ano, a estimativa é processar 120 mil toneladas de matéria-prima, que será trazida da Bahia.

Os investidores veem como potenciais compradores da produção a Petrobras e empresas de alimentos.

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A mecanização e o futuro dos cortadores de cana

Aos poucos, as usinas de Alagoas começam a adotar – ainda em nível experimental – a colheita mecanizada nas plantações de cana-de-açúcar. Apenas cinco das pouco mais de vinte agroindústrias que atuam no Estado testam a eficácia e os impactos da mudança, que será uma exigência legal daqui a mais uns anos.

Os motivos para impor aos empresários do setor sucroalcooleiro a mecanização no campo são nobres e tentam solucionar problemas atávicos da indústria do açúcar e do álcool no Brasil, como as péssimas condições de trabalho especialmente no corte de cana e os malefícios ambientais provocados pela queima.

Diferente do Centro-Sul do País, a região Nordeste tem uma preocupação adicional ao cumprir com a norma do Ministério do Trabalho e do Meio Ambiente. Enquanto as usinas se preocupam nos investimentos que terão que fazer em aquisição de máquinas, caminhões, equipamentos, capacitação de mão-de-obra e adequação de toda a lógica produtiva do plantio à recepção da matéria-prima na indústria, governadores e prefeitos nordestinos precisam se preparar para lidar com uma nova realidade que aponta para uma verdadeira legião de trabalhadores sem emprego.

Sem dúvida, a mecanização será uma revolução com todas as suas implicações boas e ruins. Diante do imenso desafio, os técnicos das usinas são uníssonos ao dizer que este é um caminho sem volta, um avanço para o setor, mas se perguntam sobre o futuro dos cortadores de cana.

Em Alagoas, mais de cem mil trabalhadores dependem dessa renda para sustentar suas famílias. Quando a safra passa, recebem seguro-desemprego e muitos deles ainda seguem para o Centro-Sul do país, onde a colheita coincide com a entressafra do Nordeste.

Alguns destes trabalhadores serão absorvidos pelas usinas, mas a imensa maioria engordará as estatísticas negativas do Estado. Será que tem alguém aí pensando numa saída?

Enfim, uma boa notícia: Alagoas está fora da zona de risco desconhecido da aftosa

A pecuária alagoana, enfim, recebe uma boa notícia. A mudança de classificação do Estado de Alagoas de Zona de Risco Desconhecido para Zona de Risco Médio é uma daquelas novidades que soa até estranho para quem está acostumado a acompanhar de perto a luta para tirar o setor local da condição de “ilha” no país e todas as péssimas consequências que criadores e industriais sofreram ao longo do tempo.

O telefonema que o ministro Reinhold Stephanes deu ao governador Teotonio Vilela Filho hoje deve ter soado como música aos ouvidos desesperados por boas novas no meio de toda essa crise. Certamente, o governo saberá explorar muito bem a conquista histórica.

O resultado confirma o discurso feito pelo presidente da Adeal, Hibernon Cavalcante, durante todo esse tempo. “Estamos fazendo o dever de casa”, dizia sempre. E também é um reconhecimento aos esforços pela criação e estruturação da agência.

Notícia dada e comemorada, agora é hora de arregaçar as mangas para seguir avançando rumo à zona livre.

Suzano investirá US$ 6,6 bi em fábricas no Nordeste

O Maranhão e o Piauí ganharão duas novas fábricas da gigante do ramo de papel e celulose Suzano. O valor do investimento é de US$ 6,6 bilhões em três unidades e a meta da companhia é ampliar em 150% o seu volume de produção.

A fábrica do sul do Maranhão será a primeira a operar, em 2013. A do Piauí entra em operação em 2014 e a terceira unidade ainda não tem localização definida. Cada uma terá capacidade para produzir 1,3 milhão de toneladas.

O investimento anunciado se refere ao parque industrial. A base florestal não entrou nessa conta. Nos dois Estados a Suzano deve gastar US$ 600 milhões na aquisição de ativos florestais.

Valedourado diz que “sai na frente” pela qualidade do leite

Acabo de receber um release da Valedourado com o seguinte título: “Valedourado sai na frente no cumprimento das normas que atestam qualidade do leite”.

Segundo o material de divulgação, a empresa acusada em relatório da Polícia Federal de ter colocando água, açúcar e “uma substância alcalina” no leite diz que “saiu na frente das demais do segmento no cumprimento da Normativa 51, que está em vigor desde 2002”.

O gerente da fábrica, Itajar Filho, diz que a indústria vem intensificando, desde janeiro do ano passado, a análise detalhada do leite, desde a captação da matéria-prima, comprada das fazendas, aos caminhões que transportam o produto.

Além disso, o gerente garante que as análises são criteriosas e feitas duas vezes por mês pela Universidade Federal de Pernambuco. “A nossa meta é sempre manter a qualidade do leite e dos alimentos que produzimos”, diz o gerente da unidade fabril de Palmeira dos Índios.

Agora eu pergunto, como é que com tanto controle a PF detectou substâncias indesejáveis no leite da Valedourado? Ou não encontrou, já que o assunto morreu sem maiores desdobramentos?

E mais: por que a empresa, uma das mais benquistas entre os consumidores alagoanos, não veio a público explicar o que houve? É isso o mínimo que merecem seus clientes e não o “abafamento” do assunto e uma campanha de marketing que ignora o que aconteceu.

As perguntas se estendem também para a Secretaria de Defesa Social, a quem a PF disse que entregaria o caso e que até agora não se manifestou.

Pernambucanos compram a São Domingos

De olho no mercado regional, a indústria pernambucana Bom Leite comprou o laticínio São Domingos. Esse é o primeiro passo para alavancar sua participação no mercado nordestino, que hoje representa módicos 0,3%.

A meta é saltar para 20% da fatia, que era exatamente o markert share que a alagoana São Domingos teve nos tempos em que estava forte no mercado.

Com a aquisição, a Bom Leite também quer se preparar para a forte concorrência com a entrada de grandes marcas em Pernambuco, como a Batavo.

A marca São Domingos será mantida, mas a planta alagoana também irá fabricar produtos Bom Leite. A unidade industrial de União dos Palmares é o forte da empresa, com uma capacidade para processar 200 mil litros de leite por dia.

Alguns dos onze produtos da São Domingos serão fabricados em Pernambuco, como o achocolatado. A Bom Leite possui um mix de 16 produtos.

O valor da compra não foi divulgado. Vale lembrar que a São Domingos esteve recentemente envolvida numa operação da Polícia Federal que encontrou açúcar, água e soda cáustica no leite de três empresas locais.

Governo é o maior gargalo da pecuária alagoana, dizem criadores

A incapacidade do governo em mudar a classificação do Estado de Zona de Risco Desconhecido da Aftosa é o maior gargalo da pecuária de leite e de corte de Alagoas. Essa é a visão dos criadores alagoanos, que deixaram claro sua opinião e cobraram soluções para a questão da sanidade ao presidente da Agência de Inspeção e Defesa Agropecuária (Adeal), Hibernon Cavalcante, durante o fórum “Momento Estratégico”, realizado ontem pelo Banco do Nordeste e pelo portal Alagoas Negócios.

O descontentamento generalizado deu o tom do debate que aconteceu na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal). Em uníssono, criadores e representantes de entidades do setor lamentaram que os avanços na genética e na produtividade do rebanho alagoano acabam sendo esmagados pela impossibilidade da comercialização. Hoje, dos três estados que fazem fronteira com Alagoas, apenas Pernambuco não conseguiu ainda se tornar zona livre da doença. “Quando isso acontecer, nos tornaremos uma ilha de fato”, disse o veterinário Marçal Brandão.

Para os pecuaristas, o grande problema é que o governo do Estado ainda não assumiu a tarefa de mudar a classificação como uma prioridade real, ela existe apenas no discurso. “Temos um governo extremamente ausente e ineficiente, que não cumpre com suas obrigações, e uma assistência técnica completamente sucateada. Gostaria de saber quem é o produtor que recebe a visita de algum técnico do governo em sua propriedade”, provocou o criador, Antonio Brandão.

O presidente do Sindicato dos Produtores de Leite e da Câmara Setorial do setor, André Ramalho, ressaltou a falta de cobertura na fiscalização e no controle de qualidade, que tem na informalidade dos laticínios seu maior inimigo. “Quem paga a conta sempre é o produtor”, observou.

Durante sua fala, o delegado do Ministério da Agricultura em Alagoas, João Batista, afirmou que é preciso união para resolver a questão da aftosa, mas que essa é uma responsabilidade única e exclusiva do governo do Estado. Ele citou a lista com 31 recomendações que o ministério deixou para serem cumpridas após uma auditoria na inspeção e defesa em solo alagoano em 2006. “Não é difícil chegar lá. Basta seguir o roteiro do ministério, mas, para isso, é preciso ter foco. Estamos aqui para apoiar”, afirmou o delegado, citando a liberação de recursos para a compra de carros e motos, além das capacitações oferecidas pelo ministério.

TÉCNICO E POLÍTICO – Diante das críticas e cobranças, o presidente da Adeal, Hibernon Cavalcante, fez questão de ressaltar que, apesar de todas as carências, nunca se avançou tanto na questão sanitária em Alagoas como nos últimos anos, a exemplo da própria criação da agência e da realização do concurso, uma das principais exigências do Ministério da Agricultura após a auditoria.

Para ele, durante um período, a briga entre o direcionamento técnico e o político travou qualquer tipo de avanço no setor, mas agora as coisas estariam fluindo com mais facilidade. “Avançamos com o pouco que tínhamos à disposição. Acho que todas as reivindicações dos criadores são legítimas, os produtores não podem pagar pelas falhas do Estado”, reconheceu.

O presidente da Adeal disse ainda que a efetivação dos 151 servidores, via concurso, não vai resolver de cara os problemas da defesa animal, já que muitos deles não têm ainda o devido preparo para atuar na área e que será preciso que passem por capacitações. Um exemplo disso é o fato de apenas quatro dos 26 veterinários terem experiência em defesa agropecuária. “A maioria trabalhava com animais pequenos, de Pet Shop, e não daqui de Alagoas, portanto, não conhecem nossa realidade. Tem gente do Acre ao Rio Grande do Sul, mas não há o que fazer, concurso público é isso”, disse Cavalcante.

Sem o aceno de qualquer solução imediata por parte do governo do Estado, os criadores propuseram a instalação de um Comitê da Pecuária de Corte em Alagoas. A meta, além de pressionar os gestores, é aglutinar e fortalecer o setor.