Reportagens

Happy families (Reportagem publicada na revista The Economist)

MENTION globalisation and most people think of goods heading across the world from East to West and dollars moving in the other direction. Yet globalisation works for ideas too. Take Brazil’s Bolsa Família (“Family Fund”) anti-poverty scheme, the largest of its kind in the world. Known in development jargon as a “conditional cash transfer” programme, it was modelled partly on a similar scheme in Mexico. After being tested on a vast scale in several Latin American countries, a refined version was recently implemented in New York City in an attempt to improve opportunities for children from poor families. Brazilian officials were in Cairo this week to help Egyptian officials set up a similar scheme. “Governments all over the world are looking at this programme,” says Kathy Lindert of the World Bank’s office in Brasília, who is about to begin work on similar schemes for Eastern Europe.

Bolsa Família works as follows. Where a family earns less than 120 reais ($68) per head per month, mothers are paid a benefit of up to 95 reais on condition that their children go to school and take part in government vaccination programmes. Municipal governments do much of the collection of data on eligibility and compliance, but payments are made by the federal government. Each beneficiary receives a debit card which is charged up every month, unless the recipient has not met the necessary conditions, in which case (and after a couple of warnings) the payment is suspended. Some 11m families now receive the benefit, equivalent to a quarter of Brazil’s population.

In the north-eastern state of Alagoas, one of Brazil’s poorest, over half of families get Bolsa Família. Most of the rest receive a state pension. “It’s like Sweden with sunshine,” says Cícero Péricles de Carvalho, an economist at the Federal University of Alagoas. Up to a point. Some 70% of the population in Alagoas is either illiterate or did not complete first grade at school. Life expectancy at birth is 66, six years below the average for Brazil. “In terms of human development,” says Sérgio Moreira, the planning minister in the state government, “Alagoas is closer to Mozambique than to parts of Brazil.” Vote-buying is rife: the going rate in the last election for state governor was 50 reais. “People come to us complaining that they sold their vote to a politician and he hasn’t paid them yet,” says Antônio Sapucaia da Silva, the head of Alagoas’s electoral court.

As well as providing immediate help to the poor, Bolsa Família aims in the long run to break this culture of dependency by ensuring that children get a better education than their parents. There are some encouraging signs. School attendance has risen in Alagoas, as it has across the country, thanks in part to Bolsa Família and to an earlier programme called Bolsa Escola.

The scheme has also helped to push the rate of economic growth in the poor north-east above the national average. This has helped to reduce income inequality in Brazil. Although only 30% of Alagoas’s labour force of 1.3m has a formal job, more than 1.5m of its people had a mobile phone last year. “The poor are living Chinese rates of growth,” says Aloizio Mercadante, a senator for São Paulo state, repeating a proud boast of the governing Workers’ Party.

Look hard enough and it is also possible to find businesses spawned by this consumption boom among the poor. Pedro dos Santos and his wife Dayse started a soap factory with 20 reais at their home in an improvised neighbourhood on the edge of Maceió, the state capital. With the help of a microcredit bank, they have increased daily output to 2,000 bars of crumbly soap the colour of Dijon mustard. Nearby, another beneficiary of a microfinance scheme has opened a shop selling beer, crisps (potato chips) and sweets. On the shop’s wall hangs a reminder that the state’s politics will take longer to change: a campaign poster with the slogan “Collor: the people’s Senator”. Fernando Collor was forced to resign as Brazil’s president in 1992 after his campaign manager ran an influence-peddling racket. In his home state of Alagoas, though, Mr Collor’s political career is thriving.

Despite the early success of Bolsa Família, three concerns remain. The first is over fraud. Because money is paid directly to the beneficiary’s debit card, there is little scope for leakage. The question is whether local governments are collecting accurate data on eligibility and enforcing the conditions. Some 15% of municipal councils make the improbable claim that 100% of pupils are in school 100% of the time. Despite this, most of the money does go to the right people: 70% ends up in the pockets of the poorest 20% of families, the World Bank finds.

Second, some people worry that Bolsa Família will end up as a permanent feature of Brazilian society, rather than a temporary boost aimed at changing the opportunities available to the poorest. Whether this happens will depend largely on whether Brazil’s public schools improve fast enough to give all their new pupils a reasonable education. Since the scheme began on a large scale only in 2003, it is still too early to tell.

Third, Bolsa Família is sometimes equated with straightforward vote-buying. That is unfair. Luiz Inácio Lula da Silva’s name is strongly associated with the scheme—even among some people in Alagoas who are unaware that he is Brazil’s president. But their gratitude does not extend to support for his Workers’ Party. There are signs that mayors who administer the programme well get a reward at the polls while those who do not suffer. For a relatively modest outlay (0.8% of GDP), Brazil is getting a good return. If only the same could be said of the rest of what the government spends.

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O acordo que afundou Alagoas numa dívida de R$ 6 bi

O lamento intermitente da dívida impagável que o Estado de Alagoas possui com a União vem sendo entoado há anos por todos os que chegam ao Palácio do Governo. Entra e sai governador, a lógica do discurso não muda, soa sempre como se o Estado tivesse caído numa armadilha mortal e inevitável, em que o único salvador é também o seu algoz – o governo federal. Porém, basta retroceder um pouco no tempo para descobrir que as vítimas de hoje também foram autores dessa tragédia de imensas proporções e que se mostra insolúvel.

A história da dívida de R$ 1,5 bilhão que se transformou em mais de R$ 6 bilhões é uma anomalia única em solo nacional e se origina num acordo oficializado em 11 de setembro de 2002. As condições do refinanciamento foram extremamente lesivas ao equilíbrio financeiro de Alagoas e, hoje, a atual gestão tenta apelar para a benevolência do governo federal, sem sucesso.

Num relatório interno da Secretaria da Fazenda, concluído no último dia 30 de agosto, sobre a dívida do Estado de Alagoas, o governo culpa o débito com a União e os juros que incidem sobre ele pela insustentabilidade fiscal e pelos péssimos indicadores sócio-econômicos do Estado.

A secretária Fernanda Vilela reconhece que a dívida é impagável e propõe a substituição dos indexadores do refinanciamento, o que só é possível hoje se houver modificação na Lei 9.496/97. “Um primeiro passo seria a unificação da bancada alagoana e de outros estados em situação semelhante frente a essa necessidade”, propõe o texto.

O documento foi produzido a pedido da Assembléia Legislativa que formou uma comissão para estudar a dívida pública do Estado. O relatório deveria conter, segundo o deputado estadual Judson Cabral (PT), integrante da comissão, explicações de como essa dívida cresceu tanto e apontar possíveis brechas para que o acordo seja questionado na Justiça, já que foi lesivo aos cofres de Alagoas.

“O relatório não traz detalhes de como essa dívida foi composta. O nosso objetivo é esclarecer essa dúvida. Queremos buscar o que pode ser considerado ilegal na negociação para iniciar uma mobilização que dê fim a essa situação insustentável. A dívida de Alagoas já está projetada para R$ 7 bilhões, em 2008. Isso precisa mudar”, afirma o deputado.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), Omar Coelho, acredita que as ilegalidades que os deputados buscam na negociação da dívida serão encontradas.

“O que eu sei é que a inclusão das letras podres do Estado na rolagem, mais o passivo do Produban, foi o que colocou Alagoas nessa situação difícil e beneficiou os credores. A Assembléia tem que buscar a origem desse problema para tentar anular o acordo”, afirma Coelho, que ressalta a necessidade de mostrar quem, de fato, lucrou com a operação lesiva ao Estado. “Não há prestação de contas do dinheiro que entrou dessa negociação”, diz referindo-se aos cerca de R$ 400 milhões que ingressaram nos cofres do Estado com o acordo feito há cinco anos.

A NEGOCIAÇÃO – Para entender como Alagoas afundou num débito que não pára de crescer é preciso retomar o ano de 2002, quando o projeto de resolução de renegociação da dívida mobiliária de Alagoas com a União começou a ser discutido. Ele foi vendido à população e ao Senado – que o aprovou – como um ótimo negócio para o Estado e foi defendido como “a melhor solução para Alagoas” pelo seu autor, o então senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que, anos mais tarde, pagaria o preço dessa negociação como governador do Estado.

Segundo Vilela, o refinanciamento daria fôlego ao Estado, que teria 30 anos para pagar o débito e, de quebra, entrariam nos cofres de Alagoas R$ 429 milhões. Na defesa de seu projeto, o atual governador garantia que a principal mudança que ocorreria na rolagem da dívida (que já havia sido feita em 2000) era a garantia de que o comprometimento com a receita líquida não ultrapassaria os 15%.

Além de assegurar o limite de comprometimento com o pagamento da dívida, a renegociação permitiria o ajuste fiscal de Alagoas e o reestabelecimento do Estado para contrair empréstimos e fazer investimentos. “A renegociação dessa dívida mobiliária vem trazer não somente a equação financeira para que o Estado ajuste suas finanças e mais adiante o governador de Alagoas, seja quem for, encontre o Estado em condição de investir, de planejar, o que até hoje não foi possível fazer”, defendeu o então senador Teotonio Vilela Filho, no Plenário, como mostra o Diário do Senado do dia 10 de abril de 2002.

O principal objetivo do projeto de renegociação era fixar o limite de 15%, diziam seus defensores mais fervorosos – além do autor do projeto, os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros (PMDB). O problema é que essa meta implicava no que acabou transformando a dívida pública de Alagoas numa bola de neve: a inclusão do débito da operação das letras e da liquidação do Produban no seu montante.

A renegociação que ocorreu há cinco anos significou a inclusão de mais R$ 1,7 bilhão numa dívida de R$ 2 bilhões, que já estava consolidada. Desse montante adicional, R$ 1,2 bilhão se referem ao valor das Letras do Tesouro Estadual e R$ 500 milhões ao débito do Produban. Somados, esses débitos representam 37,49% da dívida estadual.

A resolução aprovada pelo plenário do Senado em 11 de setembro 2002 alterou o contrato de renegociação assinado em maio de 2000 e permitiu que o governador Ronaldo Lessa trocasse os títulos públicos emitidos por Divaldo Suruagy para pagamento de precatórios por títulos da União, o que ocorreu enquanto a legalidade dessa operação estava sendo questionada pela justiça alagoana.

O contrato original condicionava o pagamento dos credores ao pronunciamento final da Justiça sobre a legalidade ou não da emissão dos títulos. Com a renegociação, o governo de Alagoas adquiriu títulos da União, no valor de R$ 1,16 bilhão.

Esse ponto da resolução rendeu aos cofres do Estado cerca de R$ 420 milhões referentes a um acordo de pagamento mediante um deságio de 37% feito junto aos credores de Alagoas (principalmente bancos, fundos de pensão e corretores). Na época, Lessa disse que, com esses recursos, pagaria salários atrasados do funcionalismo público e outras pendências.

Na defesa do projeto, o senador Teotonio Vilela Filho ressaltou em Plenário a importância da entrada desses recursos com a negociação da dívida mobiliária. “O Estado poderá regularizar sua posição financeira e seu projeto de desenvolvimento”, disse.

Não foi o que aconteceu. Quatro anos depois, o Estado de Alagoas continua no Cadin, não pagou os precatórios, enfrenta uma guerra judicial com o Estado do Paraná e segue dependente da União para fazer qualquer investimento.

QUEIXA – Num de seus encontros com o presidente Lula, o ex-governador Ronaldo Lessa reclamou que a dívida era insuportável e recebeu a seguinte resposta:

“Meu querido Lessa, se a dívida é injusta ou não, em algum momento os 27 governadores deste país sentaram com o governo passado e fizeram um acordo da dívida. Eu conheço governador que foi autor, inclusive, do acordo, e que hoje reclama que é preciso renegociar a dívida. No governo passado foi feito um acordo com muitos governadores e foi passado dinheiro para que fizessem as estradas. Em muitos Estados que eu tenho visitado, acabou o dinheiro e as estradas não foram feitas”, disse o presidente Lula, como mostra reportagem do jornal Folha de S. Paulo do dia 17 de setembro de 2005. A conversa se deu durante a inauguração do aeroporto de Maceió.

PF abre inquérito para investigar renegociação

“No dia em que o Banco Central quebrar o sigilo da conta Selic do Estado de Alagoas o rei estará nu!”. Essa é a opinião de um dos credores do Estado de Alagoas, Antonio Carlos Morais, sobre a forma de desvendar onde foram parar os R$ 429 milhões resultantes da negociação da dívida mobiliária do Estado há cinco anos.

Ele é autor de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador Ronaldo Lessa, os ex-secretários da Fazenda, Sérgio Dória e Eduardo Henrique, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Otávio Lessa e funcionários públicos ligados ao Tesouro Estadual. Sua ação também denuncia as empresas MFM Consultoria, de Massinet Felitte Mangano, e o escritório de advocacia Levy & Salomão, que prestaram consultoria ao Estado na negociação da rolagem da dívida e do pagamento dos títulos aos detentores das letras estaduais.

A denúncia resultou na abertura de inquérito pela Superintendência da Polícia Federal em Alagoas na semana passada para apurar a possível prática de gestão fraudulenta na renegociação das Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Alagoas.

A investigação terá foco no que diz respeito ao deságio concedido por credores considerados como instituições financeiras. O denunciante, Antonio Carlos Morais, já foi convocado para depor – o que acontece nesta semana – e também recebeu convite da comissão da Assembléia Legislativa que investiga a rolagem da dívida para falar aos deputados.

Morais tinha títulos de Alagoas e se sentiu lesado na negociação com o Estado, pois recebeu bem menos do que esperava. Ele diz que o Estado ainda lhe deve cerca de R$ 12 milhões e diz que o deságio de 36,74% “foi um roubo”.

“Primeiro o Estado fez dinheiro fraudando títulos e dando o golpe no mercado financeiro [emissão das Letras no governo Suruagy], depois o governo Lessa deu um outro golpe em cima dessa fraude, assumindo uma dívida que não existia legalmente e ainda saindo no lucro de mais de R$ 400 milhões”, acusa Morais.

Sua ação aponta danos à União (por parte das empresas e entidades públicas que foram pagas com deságio); ao Estado de Alagoas (por ter assumido um débito resultante de uma fraude e por não ter usufruído do dinheiro do deságio) e aos credores.

O autor da denúncia acredita que a rolagem da dívida foi milimetricamente arquitetada para beneficiar um grupo composto por políticos, secretários de Estado e escritórios de advocacia. O objetivo seria os mais de R$ 400 milhões da operação de deságio. “Se a União fizer um balanço de entradas e saídas na conta Selic do Estado desde aquela época vai pegar ladrão por ladrão. Foi golpe em cima de golpe o que aconteceu em Alagoas. Essas pessoas precisam ser punidas por crime de colarinho branco”, afirma.

“Negociação foi motivada por interesses financeiros e políticos”

O advogado Richard Manso é autor de uma Ação Civil Pública que pede a suspensão da inclusão dos títulos da dívida pública de Alagoas (letras) na rolagem da dívida do Estado com a União. O pedido ingressado na Justiça é de 15 abril de 2002 e tem como argumento a ilegalidade das letras emitidas e que acabaram se transformando num imenso débito para os cofres estaduais.

Manso chama a negociação feita com base no projeto do senador Teotonio Vilela Filho em 2002 de “novo golpe”, pois teria avalizado uma fraude. “Todos fecharam os olhos na época. O Ministério Público Estadual questionava a validade desses títulos, a senadora Heloísa Helena também avisou, mas os interesses financeiros e políticos falaram mais alto, pois estávamos às vésperas de uma eleição e o dinheiro do deságio era necessário para financiar campanhas”, acusa o advogado.

O autor da ação contra o governo do Estado, a União e o Senado Federal diz que a prova de todo o seu argumento é o que ocorreu com as finanças de Alagoas desde a celebração do novo acordo. Apesar disso, Richard Manso não acredita que consiga despertar o interesse do governo atual. “Nem os ex-gestores, nem os atuais têm interesse nessa ação porque senão terão que devolver dinheiro. Isso só ocorreria se o governador [Teotonio Vilela Filho] fosse isento e não tivesse participado da negociação”, afirma.

Manso acredita que a inclusão das letras na rolagem da dívida de Alagoas com a União foi lesiva ao Estado, ao país e aos credores. Para ele, os que defenderam o projeto foram os únicos que se beneficiaram política e financeiramente.

“Até hoje, não há prestação de contas dos mais de R$ 400 milhões que o Estado lucrou com o deságio dos títulos pagos aos seus credores. Quem for procurar isso no site ou em qualquer documento da Secretaria da Fazenda vai perder tempo. No dia em que isso for aberto vamos saber quem saiu ganhando com a negociação, o povo alagoano é que não foi!”, observa Manso.

Votação no Senado: Heloísa contra; Téo e Renan a favor

A edição de 10 de abril de 2002 do Jornal do Senado mostra que a então senadora Heloísa Helena travou uma verdadeira queda de braço com os senadores Renan Calheiros e Teotônio Vilela Filho para que as letras não fossem incluídas na rolagem da dívida de Alagoas com a União.

A senadora colocou em votação uma emenda à negociação que propunha que a União não pagasse os credores de Alagoas até que fosse julgada a validade das letras emitidas por Divaldo Suruagy. Com isso, a dívida federalizada não cresceria em proporções tão assustadores como acabou ocorrendo e o Estado não assumiria para si um débito que poderia ser considerado, no futuro, resultado de uma fraude.

A proposta só teve a adesão de Eduardo Suplicy, Roberto Requião, José Eduardo Dutra e Lauro Campos. Os questionamentos da senadora Heloísa Helena ao projeto de Teotônio Vilela Filho provocaram debates acalorados no Plenário.

A senadora usou como argumento o fato de a Justiça de Alagoas ter julgado nula a operação das letras e citou ainda o posicionamento do procurador geral do Estado na época, Paulo Lobo, que disse que se a negociação fosse assinada entregaria o cargo. O que acabou ocorrendo.

Liberações do BNDES para AL crescem 39%

Na contra-corrente do resultado obtido pela região Nordeste no volume de desembolsos obtido no primeiro semestre, o Estado de Alagoas destoou positivamente do desempenho regional – que foi negativo – e registrou um expressivo crescimento de 39% nas contratações junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Até junho, o Estado realizou 241 operações – contra 136 no ano passado –, que totalizaram R$ 36,9 milhões. No primeiro semestre de 2006, Alagoas contratou R$ 26,6 milhões junto ao banco. O desempenho alagoano contrasta com o da região Nordeste, que foi a única do país a registrar retração nos desembolsos do BNDES, de 7,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, passando de R$ 1,7 bilhão para R$ 1,5 bilhão.

O setor de comércio e serviços aparece como os que mais tiveram influência sobre o incremento. As operações das empresas desse ramo cresceram 37% com destaque para o segmento de transporte terrestre que contratou 50% mais do que no ano passado. Os desembolsos para esse segmento passaram de R$ 13,1 milhões para R$ 19,6 milhões.

Vale ressaltar que praticamente metade dos recursos liberados para o Estado de Alagoas nos primeiros seis meses do ano – R$ 18,2 milhões – foi parar nas contas de micro, pequenas e médias empresas. Os contratos do banco com as MPE´s avançaram 84% em comparação ao ano de 2006, quando o setor contratou apenas R$ 9,8 milhões. O resultado reforça o ótimo desempenho desse setor, principalmente negócios ligados ao comércio, e remete também à melhoria do poder aquisitivo da população alagoana.

As empresas de grande porte ficaram com a outra metade dos recursos e também registraram crescimento nas liberações do banco, de 12%. Quase 90% do total desembolsado para esse setor foram destinados à compra de máquinas e equipamentos nacionais pela linha de financiamento FINAME.

Para o chefe do Departamento Regional Nordeste do BNDES, José Eduardo Fitipaldi, o setor de micro e pequenas empresas é o que tem mais chances de elevar ainda mais a participação de Alagoas na carteira do banco, já que os projetos de grande e médio porte deixaram de ser apresentados à instituição pelos empresários alagoanos.

Fitipaldi atribui o bom resultado sobre o desempenho do ano passado à atuação mais forte dos agentes financeiros que captam esses clientes no Estado, mais especificamente Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB) e alguns bancos da rede privada. “Pequenas e médias empresas têm ocupado um lugar de destaque nos desembolsos para Alagoas em detrimento dos grandes empreendimentos vindos, basicamente, do setor sucroalcooleiro. Como esses grupos têm investido fora do Estado, não temos recebido projetos de grande porte de Alagoas. Talvez isso volte a acontecer com o programa do etanol e dos biocombustíveis”, explica Fitipaldi.

Para o chefe do departamento na região, a tendência é que as liberações para as micro e pequenas empresas alagoanas sigam crescendo com a implantação da Agência de Fomento de Alagoas (AFAL). “Estive aí em Alagoas no mês passado numa reunião com o secretário de Planejamento (Sérgio Moreira) e o BID (Banco Interamericano) e fiquei muito otimista. Acho que a agência de fomento de Alagoas poderá funcionar como braço operacional do BNDES e isso dará amplas condições de ampliarmos os desembolsos para o Estado”, acredita.

Apesar do resultado significativo, Alagoas ainda não se destaca nas contratações dentro da região Nordeste. Os desembolsos para cá ainda são poucos expressivos se comparados com o todo. Sergipe está na lanterna das liberações nesta primeira metade do ano com R$ 16,7 milhões e amarga uma considerável queda de 76%. Depois, seguem na lista dos piores resultados o Piauí (R$ 23,7 milhões) e Rio Grande do Norte (R$ 28,9 milhões). Alagoas vem em seguida e é desbancado por Estados do mesmo porte, como Maranhão e Paraíba, que deu um salto de 163% nos desembolsos do BNDES.

Mesmo ainda estando entre as menores participações junto aos recursos do banco na região Nordeste, o Estado de Alagoas melhorou sua posição no ranking, pois no mesmo período do ano passado só estava acima do Piauí.

ATIVIDADES – Entre as atividades econômicas que também tiveram destaque nos contratos firmados com o banco até junho está o ramo industrial, mais precisamente o de transformação. O crescimento foi de 84% e o segmento responsável pelo resultado foi o de produtos alimentícios e bebidas. As liberações para empresas desse ramo cresceram cerca de 600%.

A indústria extrativa saiu de uma participação quase nula – R$ 13 mil no ano passado – para pouco mais de R$ 1 milhão.

Já a atividade agropecuária desacelerou e registrou queda de 7% nas liberações, que passaram de R$ 5,1 milhões para R$ 4,8 milhões nesse semestre.

Entre as maiores retrações estão os ramos de produtos químicos (queda de 96%); saúde e serviço social (-77%), artigos de borracha e plástico (-71%), alojamento e alimentação (-65%) e construção civil (-34%).

ESTÍMULO– Desde o ano passado, o BNDES vem tentando ampliar a participação dos Estados nordestinos junto aos recursos do banco, que era de 8%. Em visita ao Estado, o presidente da instituição, Demian Fiocca, disse ao empresariado alagoano que o foco dessa expansão eram os pequenos e médios negócios.

Apesar de pequena, a participação de Alagoas já vem crescendo gradativamente. No ano passado, o avanço no primeiro semestre foi de 49% frente ao ano de 2005. Dentro da região, Alagoas teve em 2006 o melhor desempenho na ampliação da participação, saltou de R$ 34,8 milhões para R$ 51,7 milhões. Um incremento bem maior do que a média nordestina – que foi de 16% – e a nacional – de 1%.

Na ocasião, o presidente do banco citou como ferramentas para expandir as liberações na região Nordeste os produtos direcionados para empresas de menor porte, como o cartão BNDES, que não exige garantias reais e nem descrição do projeto de investimento.

O cartão foi bastante usado de janeiro a junho deste ano pelos empresários locais, crescendo 249% este semestre, e figurando como uma das linhas mais acionadas junto com BNDES automático.

DESEMBOLSOS – De janeiro a junho de 2007, os desembolsos do BNDES para todo o país tiveram uma ampliação de 35,3%, pulando de R$ 18,2 bilhões para R$ 24,6 bilhões.

No período, os financiamentos para São Paulo cresceram 16,6%, passando de R$ 7,6 bilhões para R$ 8,9 bilhões. Na mesma comparação, os desembolsos para o Rio de Janeiro, tiveram um incremento de 158%, passando de R$ 1,2 bilhão para R$ 3,1 bilhões.

Para Minas Gerais, os financiamentos tiveram ampliação de 64,5%, passando de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,5 bilhões. Já para o Espírito Santo, eles cresceram 63,8%, passando de R$ 311 milhões para R$ 510 milhões.

Os financiamentos do banco estatal para o Rio Grande do Sul passaram de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,9 bilhão, uma ampliação de 47,1%. Já para o Paraná, com expansão de 70,7%, os desembolsos passaram de R$ 1,1 bilhão para R$ 2 bilhões. Santa Catarina recebeu, este ano, R$ 1,3 bilhão frente a R$ 1,3 bilhão, recebidos no mesmo período de 2006. Um aumento de 2,4%.

Na região Nordeste, onde houve uma retração de 7%, os Estados da Paraíba e do Maranhão registraram os crescimentos mais expressivos, 168% e 122% (respectivamente) no valor desembolsado. Rio Grande do Norte (-82,6%), Sergipe (-76%) e Ceará (-11,7%) registraram as quedas mais expressivas.

No volume de operações não houve queda entre os Estados nordestinos. O crescimento de Alagoas foi 77%. O Estado realizou 241 operações no BNDES no primeiro semestre contra 136 no ano passado.

Uma resposta

  1. Alagoas é terra de que? Acho que esse manso é um pouco da solução.

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