Maceió agora tem dois shoppings “de verdade”

Está marcada para amanhã a inauguração do shopping Pátio Maceió, que vai abrir com cem lojas.As expectativas – de todos os tipos – são imensas em relação ao novo empreendimento. Uma terra carente como Alagoas espera quase tudo de um investimento como este, principalmente empregos.

Mas vamos lá ao que interessa que é responder, finalmente, à questão – estará mesmo Maceió [e mais, a parte alta da cidade] pronta para manter um outro shopping? Quantas lojas de departamento se sustentam aqui? Quantos cinemas e praças de alimentação?

Apesar de estar cansada de ouvir todo o blá-blá-blá de que os programas de transferência de renda tornaram as classes menos abastadas um nicho de vorazes consumidores e que a bancarização e o fácil acesso ao crédito escancararam as portas de uma demanda reprimida desde sempre, preciso ver para crer certas mudanças. E dois shoppings centers “de verdade” operando sem percalços numa capital como Maceió é uma delas.

É esperar para crer.

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Portugueses produzirão biodiesel em Petrolina

Cem milhões de reais é o investimento que o grupo português HLC Enviromental Holdings vai fazer na revitalização da Companhia de Biodiesel do Vale de São Francisco (Biovasf), no município pernambucano de Petrolina.

A antiga fábrica de processamento de óleos vegetais estava desativada há três anos, mas já tem nova data para entrar em operação, março do próximo ano. A Biovasf vai fabricar biodiesel e óleos vegetais de soja, algodão e mamona. Por ano, a estimativa é processar 120 mil toneladas de matéria-prima, que será trazida da Bahia.

Os investidores veem como potenciais compradores da produção a Petrobras e empresas de alimentos.

81% dos municípios de Alagoas correm risco de desabastecimento de água

Atlas preparado pela Agência Nacional de Águas (ANA) aponta para um quadro de temeridade em Alagoas. Nada menos que 81% dos municípios alagoanos correm risco de sofrer desabastecimento de água.

O relatório revela que três em cada quatro cidades do semi-árido nordestino sofrem de escassez de água e que seriam necessárias mais duas transposições do rio São Francisco até o ano de 2025 para solucionar o problema. O ano em questão é tido pela agência como o ponto crítico da falta de água nesses municípios.

Alagoas é o terceiro no ranking do desabastecimento. Antes de nós há ainda o Piauí e o Maranhão. Medidas para uso eficiente da água e para uma boa gestão dos recursos hídricos são as duas principais ações urgentes que precisam ser implementadas pelos Estados. O desafio está lançado.

A mecanização e o futuro dos cortadores de cana

Aos poucos, as usinas de Alagoas começam a adotar – ainda em nível experimental – a colheita mecanizada nas plantações de cana-de-açúcar. Apenas cinco das pouco mais de vinte agroindústrias que atuam no Estado testam a eficácia e os impactos da mudança, que será uma exigência legal daqui a mais uns anos.

Os motivos para impor aos empresários do setor sucroalcooleiro a mecanização no campo são nobres e tentam solucionar problemas atávicos da indústria do açúcar e do álcool no Brasil, como as péssimas condições de trabalho especialmente no corte de cana e os malefícios ambientais provocados pela queima.

Diferente do Centro-Sul do País, a região Nordeste tem uma preocupação adicional ao cumprir com a norma do Ministério do Trabalho e do Meio Ambiente. Enquanto as usinas se preocupam nos investimentos que terão que fazer em aquisição de máquinas, caminhões, equipamentos, capacitação de mão-de-obra e adequação de toda a lógica produtiva do plantio à recepção da matéria-prima na indústria, governadores e prefeitos nordestinos precisam se preparar para lidar com uma nova realidade que aponta para uma verdadeira legião de trabalhadores sem emprego.

Sem dúvida, a mecanização será uma revolução com todas as suas implicações boas e ruins. Diante do imenso desafio, os técnicos das usinas são uníssonos ao dizer que este é um caminho sem volta, um avanço para o setor, mas se perguntam sobre o futuro dos cortadores de cana.

Em Alagoas, mais de cem mil trabalhadores dependem dessa renda para sustentar suas famílias. Quando a safra passa, recebem seguro-desemprego e muitos deles ainda seguem para o Centro-Sul do país, onde a colheita coincide com a entressafra do Nordeste.

Alguns destes trabalhadores serão absorvidos pelas usinas, mas a imensa maioria engordará as estatísticas negativas do Estado. Será que tem alguém aí pensando numa saída?

O apagão e o excesso de criatividade

Primeiro foi um raio, depois falha humana e agora o mais novo provável autor da pane que apagou o Brasil é um hacker. Quanta criatividade em apenas uma semana.

A Folha de S. Paulo de hoje traz mais um personagem para uma história que já está ficando sem graça de tantas especulações e, o pior, continua sem uma explicação aceitável por parte de quem quer que seja. Diz a matéria que o Operador Nacional do Sistema (ONS) estava – até a última quinta-feira – à mercê de “piratas cibernéticos”. Ou seja, um hacker maldoso pode ter invadido o sistema e provocado o apagão.

O governo diz que essa possibilidade – que, de fato, soa mais como uma árdua tentativa da Folha em “parir” uma suíte original do assunto – é remotíssima. É prometido para hoje um relatório sobre a falta de energia ocorrida em 18 Estados na terça passada.

Enquanto aguardamos a explicação oficial, vale ficar com alguns dos poucos palpites racionais e equilibrados do que houve. O professor Luiz Pinguelli Rosa – uma das maiores autoridades em energia do país – aponta a má gestão do sistema como a causa do apagão. Para ele, a chave de tudo é descobrir o que causou a sobrecarga na rede e não o blecaute.

De qualquer forma – com ou sem explicação -, o ocorrido trouxe de volta aquela atmosfera de insegurança em relação ao sistema energético do Brasil, um amargo e rápido “revival” da crise que vivemos no final dos anos noventa. Estaria sua sombra nos rondando novamente?

PS: Só para não deixar de citar as agruras locais, aqui em Alagoas ninguém precisa de raio ou hacker. Nos últimos meses, após o “choque de gestão” de Flávio Decat e seus super-técnicos da Eletrobrás, a Ceal voltou a dar sinais de fragilidade com as longas e constantes interrupções no fornecimento de energia. No último domingo, um fato inusitado: consumidor liga às onze horas da manhã para saber o motivo da falta de energia desde às oito e recebe como explicação da atendente – “está no nosso site”. Melhor se o telefone fosse elétrico.