Ministro do Turismo assina amanhã contrato do Prodetur em PE; aqui só reuniões

 

Na próxima terça, o ministro do Turismo, Luiz Barreto, estará aqui em Maceió. Segundo o site oficial do governo alagoano, haverá duas reuniões – uma com o governador e secretários de pastas ligadas ao setor para discutir projetos de melhorias na infra-estrutura turística do Estado e outra com o trade local.

Importante essa visita, mas é preciso que dela saiam mais do que promessas de apoio e de recursos. Para isso, é preciso que Alagoas se mexa. De nada adianta mostrar as carências e não ter projetos prontos para captação de dinheiro que os viabilize.

Lá em Pernambuco, por exemplo, a visita do mesmo ministro, amanhã, tem um objetivo mais concreto – Barretto assina com o governo estadual um documento que simboliza o ponto de partida do Programa de Desenvolvimento do Turismo Nacional (Prodetur Nacional).

Com isso, a partir de 2009, os pernambucanos terão acesso a US$ 125 milhões para investir em ações como qualificação de mão-de-obra, infra-estrutura turística e recuperação de patrimônio histórico. Desta vez, o governo de lá vai investir no Sertão e no Agreste.

Seria tão animador saber que o ministro do Turismo está vindo aqui para assinar alguma coisa também. Mas, por ora, a visita se limitará às duas reuniões. Pode ser que algo saia delas, mas não é muito provável.

O que não dá para entender é a demora de Alagoas em se engajar para participar do novo Prodetur. Já falei aqui no blog sobre isso e não custa falar novamente, já que as duas primeiras versões do programa – que tinha atuação apenas na região Nordeste – não foram muito bem aproveitadas. Que eu me lembre, o Prodetur I resultou no bairro abandonado de Jaraguá e o II produziu um levantamento cartográfico (!?).

O prazo para a execução do Prodetur Nacional é de quatro anos, contados a partir da assinatura do contrato com o financiador. Quem está à frente do programa desta vez é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que  oferece 60% dos recursos.

Está aí uma boa oportunidade para estruturar não só o litoral e a capital, mas levar infra-estrutura básica e turística a outras regiões do Estado, como o Baixo São Francisco e o Sertão.

Suzano investirá US$ 6,6 bi em fábricas no Nordeste

O Maranhão e o Piauí ganharão duas novas fábricas da gigante do ramo de papel e celulose Suzano. O valor do investimento é de US$ 6,6 bilhões em três unidades e a meta da companhia é ampliar em 150% o seu volume de produção.

A fábrica do sul do Maranhão será a primeira a operar, em 2013. A do Piauí entra em operação em 2014 e a terceira unidade ainda não tem localização definida. Cada uma terá capacidade para produzir 1,3 milhão de toneladas.

O investimento anunciado se refere ao parque industrial. A base florestal não entrou nessa conta. Nos dois Estados a Suzano deve gastar US$ 600 milhões na aquisição de ativos florestais.

[Pensamento do dia – Edgar Morin]

Não crer mais:

Nas verdades absolutas;

Em Deus;

Na razão endeusada

Mas crer:

Na razão aberta para o irracional e que luta contra a racionalização;

Nas verdades mortais, perecíveis, frágeis, vivas;

Na conquista de verdades complexas contendo incertezas;

Nos momentos de alegria fulgurantes, individuais e coletivos, relacionados ao amor e à fraternidade. Sempre.

CRER SEM CRER NA HUMANIDADE.

Oceanus agora é alvo de investigação do MPE

 

O Instituto Oceanus – aquele que foi condenado e teve suas atividades encerradas pelo Ministério Público Federal por usar em benefício próprio mais de R$ 1 milhão do governo – terá que se explicar também com a justiça estadual.

A promotoria da Fazenda Pública do MPE iniciou uma investigação que vai apurar se houve ilegalidade na apliacação dos recursos liberados pelo governo do Estado em convênios firmados com a ONG. Ainda não se sabe quanto a gestão Lessa/Abílio (maior incentivadora do instituto) destinou à Oceanus.

O que se sabe é que o governo passado deu de presente uma Mitsubishi (vermelha que circulava com placa oficial) ao Instituto e que até trouxe o presidente do Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, na época, para conhecer os feitos da ONG no litoral alagoano. O BID também deu dinheito a Oceanus, mas diz que está tudo certo com a prestação de contas.

Vamos esperar para ver o que o MP vai encontrar…

Alagoas e o “turismo de pousada”

Demorou, mas o governo atentou para os importantes dados de uma pesquisa da UFAL, coordenada pelo professor Cícero Péricles, que apontou o imenso potencial para o turismo de pousada no litoral Norte do Estado.

É grande o número de pequenos empreendimentos que só precisam de acesso facilitado ao crédito e orientação técnica para formar na região um produto de excelente apelo ao visitante. Estrangeiro, principalmente.

O problema, como reconheceu o próprio secretário de Turismo, Virgínio Loureiro, é que “o setor está órfão”. Tudo indica que a parceria firmada entre o Estado e a universidade para a formatação desse produto, que, na verdade, já existe, mas precisa ser qualificado.

Para Cícero Péricles, é uma oportunidade de se criar um produto com a marca de Alagoas, que identifique e destaque o Estado no meio de tanta praia, sol e resort na região Nordeste.

Tem tudo para dar certo, mas é preciso uma integração entre as secretarias ligadas ao setor, não só Turismo, mas Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Infra-Estrutura. A dúvida que paira é a seguinte: as diferenças serão esquecidas em nome de um bem maior?

Pólo de TI agoniza antes de sair do papel

O pólo pernambucano de tecnologia da informação “Porto Digital” é uma referência dentro e fora do Brasil quando se trata de organização e fomento ao segmento de TI, que é um dos que mais crescem no mundo. Localizado estrategicamente no bairro do Recife antigo, o centro é considerado um dos melhores parques tecnológicos do País e se tornou um importante vetor de crescimento econômico em Pernambuco.

Também muito perto de Alagoas, um outro estado avança no mesmo segmento e aproveita a abertura desse mercado. Sergipe acaba de fechar um acordo na área de tecnologia da informação e inclusão digital com a Microsoft Brasil. Entre as propostas do acordo estão a criação de um centro de inovação em parceria com a Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec), cursos de formação digital para a rede pública estadual e a instalação de um laboratório de interoperabilidade com a universidade federal.

Esses mesmos sergipanos que agora começam a consolidar o seu pólo estiveram aqui há cerca de três anos para conhecer o Arranjo Produtivo Local (APL) de TI e as ações para a criação do pólo alagoano, batizado de Cais Tecnológico. Os anos passaram, Sergipe avançou e Alagoas não conseguiu fazer o projeto deslanchar.

O resultado disso, um APL engessado, um pólo que só existe no plano das idéias, empresários indo embora atraídos para outros centros ou então extremamente frustrados por verem uma grande oportunidade de crescimento do setor ser desperdiçada.

O empresário e presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia de Informação, Software e Internet (Assespro Regional Alagoas), Jean Paul Neumann, conta que a idéia – encabeçada inicialmente por oito empresas – era aproveitar a força do segmento local, que estava desarticulado, e integrar universidade e governo numa ação de fortalecimento das empresas locais e atração de investimentos.

“Empresas internacionais como IBM e Nokia destinam parte de seu faturamento para investimentos em inovação. Organizar o segmento alagoano num pólo seria uma forma de captar esses recursos”, afirma Jean Paul.

A exemplo do Porto Digital, em Recife, o projeto do Cais Tecnológico prevê a criação de um centro no bairro histórico de Jaraguá. “É o lugar ideal por ser uma área central, movimentaria a economia da região, que é próxima aos hotéis, tem fibra ótica passando por todo o bairro, um conjunto de faculdades funcionando lá e uma área carente que poderia ser beneficiada”, conta.

O projeto foi criado, apresentado incansavelmente a secretários de Estado desta e da gestão anterior, aconteceram missões técnicas aos principais pólos do País, como o da Paraíba e do Rio Grande do Sul, mas nada passou de disso.

Segundo Jean Paul, o projeto foi apresentado ao governador Teotônio Vilela Filho, que, apesar de se mostrar entusiasmado com a idéia, não liberou sequer os R$ 100 mil necessários para a elaboração do mais básico; o plano de negócios e o projeto técnico.

“Precisamos dessas duas coisas para apresentar o Cais Tecnológico a quem pode entrar com recursos no pólo, como Finep, Cnpq, BID, Microsoft… Sem isso, o pólo é apenas uma idéia, pois não temos nada para mostrar”, afirma o empresário.

Enquanto o APL de TI não consegue viabilizar sequer a elaboração de um plano de negócios, os outros estados seguem aproveitando o crescimento do setor e criam os seus pólos. A Bahia, por exemplo, está investindo R$ 15 milhões na implantação da Tecnovia, o pólo de tecnologia da informação de lá.

Diante disso, os empresários locais se sentem desestimulados. “Estamos desacreditados não da idéia do Cais Tecnológico, mas de apoio. Um ano se passou desde que pedimos os recursos para financiar o plano de negócios e o pedido foi negado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). O que podemos concluir que este setor, que poderia gerar riquezas, empregos e diversificar a economia de Alagoas, não é uma prioridade do governo. A verdade é que estamos perdendo dinheiro”, reclama Jean Paul.

O coordenador estadual do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL), Fábio Leão, explica que os recursos solicitados vão ser liberados apesar da demora. Segundo ele, o pedido foi negado pela PGE porque previa dispensa de licitação numa situação sem justificativa. “O governo vai disponibilizar os recursos e será aberta licitação”, afirma.

Leão reconhece que o próprio Estado poderia ter avançado “um pouco mais” no APL de TI, mas ele ressalta que alguns pontos fundamentais precisam ser definidos no projeto do Cais Tecnológico, como que tipo de organização ele será. “Em Recife, o Porto Digital é uma Oscip, mas para conseguir ser uma organização como essas, leva muito tempo, não é da noite para o dia”, diz.

Os (Des)Caminhos do São Francisco

A festança no teatro Sete de Setembro, anteontem, em Penedo, me fez refletir sobre algumas coisas. Será que aquele mundaréu de gente que estava lá esperando o governador se dava conta da imensa falácia que é o novo Arranjo Produtivo Local, tema e motivo da comemoração daquele dia?

“O APL do Baixo São Francisco ainda não é uma realidade, mas será”, pode me dizer alguém do Estado. E eu digo porque acho que esse arranjo tem tudo para não ser nada.
Esse governo conhece de perto e se importa com os municípios da região? Não parece.

Enquanto fazem festa, a população ribeirinha assiste a decadência de suas cidades, o descaso dos esgotos a céu aberto (como na idade média) correndo para o rio que um dia já foi o suficiente para que ninguém precisasse de Bolsa-Família, Seguro-Defeso, doações e “ajuda” de deputados com suas emendas.

Turismo em Traipu? Só pode ser uma piada. Pois é, mas esse município paupérrimo, de IDH comparável ao de alguns dos países mais pobres do mundo (para não citar novamente a secretária da Fazenda) está no APL como um destino turístico.

Traipu ilustra bem o que acontece em outras cidades do Baixo São Francisco e todo mundo parece não enxergar. É uma imensa favela às margens do rio. Lhe falta o básico. Seus moradores – a maioria pescadores ou parentes de pescadores – não têm emprego, não têm opção de nada. Lhes resta o álcool no meio da tarde nublada, às margens do “rio da integração nacional”.

Essas pessoas não precisam de um APL que só vai ficar no papel, elas precisam de água tratada, de saneamento básico, de educação, das cheias anuais do rio São Francisco (que não existem mais).

Mais: precisam que este governo cobre uma revitalização de verdade na bacia e deixe de enxergar apenas o bucolismo e a beleza contidos no livro de fotografias lançado na cerimônia de quarta-feira. Aliás, o álbum acaba por ser a única coisa concreta do novo APL.