E Alagoas com isso?

Enquanto a maioria dos governadores vai para frente protestar pelo que prejudicaria seus Estados com as inúmeras – e profundas – mudanças que virão com a reforma tributária, o governador de Alagoas não dá uma palavra sobre o assunto.

 

Tudo bem. O tema é árido, mas nem a secretária da Fazenda se posiciona. Pelo menos aqui dentro. Quem está de fora acaba não sabendo a reforma é boa ou ruim para Alagoas, estado que importa quase tudo e que não produz muita coisa.

Até mesmo essa discussão sobre o tal fundo de compensação para os Estados passa em brancas nuvens por aqui. Reforma tributária? E Alagoas com isso?

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PEC da reforma tributária é enviada

O governo apresentou ontem a proposta de emenda constitucional (PEC) que reformula o sistema tributário. O texto prevê a extinção de cinco contribuições federais para dar lugar ao Imposto sobre Valor Adicionado Federal (IVA-F), que será composto por quatro contribuições (Cide, PIS, Cofins, salário-educação).

 

O ICMS continua, mas com os dias contados. A proposta é que seja também extinto até o final do sétimo ano após a aprovação da reforma e que dê lugar a um novo imposto estadual. Só que as alíquotas e a legislação serão as mesmas para todos os Estados. Esse é um ponto nevrálgico.

Do FPM e do FPE sairão 1,8% para um fundo de equalização de receitas (FER), que servirão para compensar Estados por eventuais perdas com a reforma. Outros 4,8% vão para um fundo que implementará políticas de desenvolvimento regional. 

A pior parte do texto – para muitos Estados – é a proibição de novos incentivos. Os atuais serão garantidos por um tempo, até que entre em vigor a redução da alíquota das operações interestaduais de ICMS. Isso ainda vai dar muito o que falar….

Mais uma vez: união é arma para enfrentar concorrência

União. Essa é a estratégia de 18 imobiliárias cearenses para enfrentar a concorrência acirradíssima que chega de fora – de outros Estados e até de outros países.

A “blindagem” do mercado acontece na forma de uma rede para reduzir custos e fortalecer o grupo. Cientes de que sozinhas não conseguiriam ir para o embate com chances de vitória, pequenas imobiliárias de Fortaleza se uniram à Rede Imobiliária do Brasil.

Se a iniciativa por lá dará certo só o tempo vai dizer. Mas temos aqui em Alagoas exemplos muitíssimo bem sucedidos de outros setores que fizeram o mesmo e se deram bem.

Quem não lembra do terror que se espalhou com a chegada dos grandes varejistas em Maceió? Todos diziam que os supermercados de bairro fechariam as portas. Isso só não aconteceu porque essas empresas se uniram numa espécie de cooperativa e, juntos, ganharam poder de barganha junto aos fornecedores, melhoraram seus serviços e conseguiram adotar preços tão competitivos quanto os das grandes redes.

Um ótimo e inspirador exemplo para o nosso mercado imobiliário…

BNB vai atuar como correspondente bancário

A partir de março, o Banco do Nordeste vai passar a atuar também como correspondente bancário. A novidade foi anunciada ontem pelo presidente da instituição, Roberto Smith. 

Para dar início a essa nova atuação, o banco fechou um convênio de parceria com a presidência da Caixa Econômica Federal para atender nesse segmento na zona rural nordestina. 

Pequenos pagamentos, loterias e outros serviços devem facilitar a vida de muita gente em comunidades longínquas. Porém, a nova função do BNB vai além disso – a instituição também está de olho na expansão do microcrédito e vai colocar nesses pontos o pessoal do Crediamigo para difundir o sistema.

Quase um bilhão em investimentos: delírio ou realidade?

Alagoas recebe quase um bilhão em projetos turísticos nos próximos cinco anos. E o mais surpreendente, estes são os que estão confirmados. “Há mais em andamento”, me disse ontem o superintendente de Investimentos da Secretaria de Turismo, Marcos Vital.

 

Mesmo sabendo que uma parte significativa desses empreendimentos já veio a público pelos próprios investidores – como o grupo Jaraguá, que fará um resort de R$ 130 milhões no litoral Sul – é difícil, ainda, não ouvir esse tipo de informação com ceticismo.

Afinal de contas, quantas vezes nós todos não já fomos testemunhas desses “anúncios” com direito a festa e publicidade e que depois caíram no esquecimento [ou eram especulação, ou foram para outros Estados]?

Porém, o “pacote” de projetos turísticos e imobiliários no valor R$ 944 milhões parece – apenas, parece – que tem um pé na realidade. Não é mais uma peça pregada pela “mosca do delírio” que costuma picar o pessoal do governo.

Entrei no site do consórcio Invest Tur, que comprou o lendário Ondazul, e vi que o grupo já publicou dois fatos relevantes dando conta da compra de dois imensos terrenos em Alagoas – um em Passo de Camaragibe e outro na Barra de Santo Antonio – e detalhando os investimentos.

Isso já é alguma coisa. Por enquanto, só dá para torcer para que essas ótimas notícias se tornem mesmo uma realidade.

As boas lições de Pernambuco

Enquanto os plantadores de cana de Alagoas agonizam, o Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar e a Associação dos fornecedores de Cana de Pernambuco dão mais um passo importante.

As entidades firmaram parceria com o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) para receber mudas de cana-de-açúcar de alta qualidade genética e sanitária. Elas serão produzidas na Biofábrica Miguel Arraes.

Inicialmente, o centro doará 120 mil mudas. Depois elas serão comercializadas a preço de custo.  Os plantadores ainda ganharão duas estufas para adaptação das mudas, uma em Vicência, na Zona da Mata Norte, e outra em Ribeirão, na Zona da Mata Sul.

A expectativa é que cada pequeno produtor amplie de 40 toneladas de cana para 100 toneladas por hectare. Cerca de 14 mil plantadores devem ser beneficiados.

Porto Bay estuda investir em Alagoas

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O grupo hoteleiro lusitano Porto Bay [vejam foto de um de seus resorts acima] está interessado em investir em Alagoas. No final do ano passado, o seu presidente, António Trindade, andou visitando o país e confirmou os planos em diversas entrevistas a jornais daqui e de Portugal.

O empresário já visitou o Estado algumas vezes e gostou de áreas no litoral Norte e no litoral Sul. Seriam dois resorts, que estariam sendo analisados pelo operador turístico do grupo. Ele classificou o destino como o de maior potencial do Brasil.

Porém – e, como sempre, tem de haver um – o dono do grupo não conseguiu sentir segurança e só faz o investimento após um estudo bem aprofundado. “Não é só preciso fazer o hotel, é preciso garantir a rentabilidade. É preciso garantir que o hotel vai ter ocupação”, disse numa entrevista ao jornal Diário Econômico, de Portugal.

Pois é. O empresário já percebeu algumas coisas que a gente está cansado de saber, como, por exemplo, o péssimo aproveitamento das potencialidades naturais – “as famosas e faladas belezas alagoanas” – e a falta de infra-estrutura.

A rede Porto Bay tem hotéis e resorts na Ilha da Madeira e no Rio de Janeiro. Além de Alagoas, Cabo Verde também está nos planos do grupo. O que é mais engraçado é que este investimento – que parece ser mais real que muitos propagados por aí – ainda não virou matéria no site do governo… Será que estão sabendo?