Oferta de imóveis para baixa renda cresce 400%

Quem faz a previsão é a Cyrela, gigante do setor imobiliário nacional: “os imóveis econômicos deixaram de ser um negócio secundário; é um mercado que se consolidou este ano com a expansão do crédito”. Saiu no Valor de ontem.

Os imóveis para as classes mais baixas, C e D, viraram o foco das principais construtoras e incorporadoras do país. É essa a tendência que se consolida no segmento, que tem investido na oferta de apartamentos com valor entre R$ 50 e R$ 150 mil. Vejam só, é exatamente onde reside e a escassez na oferta imobiliária em Alagoas.

No ano que acaba, oito das principais empresas que apostaram em famílias com renda média de 10 salários mínimos lançaram um volume de residências mais de 400% superior ao ano passado.

Nada menos que 57,3 mil unidades chegaram ao mercado e o melhor, com financiamentos que superam os 25 anos. Em 2008, a previsão é de um crescimento acima de 100%.

A Tenda, empresa mineira que constrói imóveis para a classe média baixa há mais de 10 anos, ampliou o volume de seus lançamentos de 2 mil unidades para 20 mil. A Goldfarb, adquirida pela PDG Realty, quadruplicou os lançamentos neste nicho. 

As grandes, acostumadas a produzir para a elite, se voltaram para o povão e iniciaram uma onda de capitalizações no ano passado. Cyrela, Gafisa e Rossi criaram braços para atuar no segmento econômico para atuar exclusivamente com imóveis de até R$ 150 mil.

Por aqui, será que as construtoras locais já acordaram?

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Como somos desiguais… Vale como reflexão de Ano Novo

A Secretaria de Planejamento divulgou esta semana:  

“Apenas 10 municípios de Alagoas concentraram 70,27% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de 2005. Enquanto isso, os dez municípios com menor participação responderam juntos por 0,83% do PIB do mesmo período.  O valor do PIB do Estado em 2005 chegou a R$ 14,134 bilhões. Desse total, 43,26% estão em Maceió.

A capital já respondeu por mais de 50% do PIB do Estado, mas, com a revisão metodológica e a mudança no ano base da pesquisa, outras atividades foram incluídas, totalizando 17. “Dessa forma, a participação relativa de Maceió caiu, mas não significa que a cidade passou a produzir menos que em anos anteriores”, explica o superintendente da Supegi, José Cândido do Nascimento. 

Os dez municípios com maior participação no PIB do Estado em 2005 foram: Maceió (43,26%), Arapiraca (6,28%), Marechal Deodoro (3,98%), Delmiro Gouveia (3,64%), Coruripe (3,08%), São Miguel dos Campos (3,02%), Rio Largo (2,12%), Palmeira dos Índios (1,69%), Penedo (1,66%) e União dos Palmares (1,54%). 

Os 10 municípios com menor participação no PIB de 2005 são: Carneiros (0,10%), Japaratinga (0,10%), Jundiá (0,10%), Tanque d’Arca (0,09%), Coqueiro Seco (0,09%), Olho d’Água Grande (0,08%), Palestina (0,07%), Belém (0,07%), Mar Vermelho (0,07%), Pindoba (0,06%). Todos eles possuem população inferior a oito mil habitantes. 

Segundo José Cândido do Nascimento, nesses municípios prevalecem atividades da administração pública, ou seja, a maioria dos empregos são gerados pelos órgãos da prefeitura, do Estado ou da União. “Nesses locais há também a economia sem produção, aquela dependente de aposentadorias e de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família”, comenta.”

Balanço de quê?

Recebi um release da Secretaria de Agricultura que falava de uma reunião – ocorrida ontem – para fazer um balanço das ações do Programa do Biodiesel em Alagoas no ano que está acabando.

Seria melhor uma reunião para discutir a validade e a viabilidade do programa do jeito que está concebido hoje. Praticamente não existe programa além do papel. Pelo menos, eu não conheço.

Ainda no primeiro semestre, fiz uma reportagem com a coordenadora do programa – a mesma da “Era Lessa” – e percebi que colocaram o carro na frente dos bois. O Estado, na ânsia de mostrar serviço – praga que continua afetando algumas pastas da atual gestão – lançou o Probiodiesel com pompa e circunstância sem que houvesse um pé de mamona plantado em Alagoas.

Passou. Me parece que hoje já existe algum cultivo e algum acompanhamento rural. Mas enquanto Alagoas discute o “básico do básico”, quem já avançou na questão biodiesel já discute a viabilidade do uso da mamona e a queda brusca nos preços do combustível.

Parece que, mais uma vez, vamos ficando para trás.

O secretário de Agricultura, Alexandre Toledo, quer distribuir mais sementes entre os agricultores familiares e quer a Seagri junto com a Seplan na gestão do programa.

Tudo certo, mas acho que é preciso ir além e pensar questões como: será a mamona a matéria-prima mais viável? Será esse programa a saída mais benéfica para a geração de renda no campo? Se tudo que foi planejado por essa gestão desse certo, quando Alagoas estaria no patamar de produtora de biodiesel em escala significativa?

Só para voltar ao “balanço”, quantos passos deu o Probiodiesel este ano?

Serve de inspiração para o nosso APL “cultural”

 

Vem da Bahia uma iniciativa promissora voltada à área cultural. Microcrédito CrediBahia Cultural é uma linha de financiamento para profissionais da área de cultura que moram ou trabalham no Pelourinho e adjacências.

 

A meta do governo baiano é dar autonomia ao produtor cultural e capacidade para gerir seus negócios. O apoio ao setor foi orquestrado pelo Estado, prefeitura e Sebrae. A promessa é de liberar dinheiro de forma rápida e sem burocracia na agência piloto montada no “Pelô”.

 

Os limites de crédito vão de R$ 200 a R$ 5 mil, no caso de investimento fixo, e de R$ 200 a R$ 3 mil para capital de giro. Inspiradora a idéia.

 

Podem se candidatar ao CrediBahia profissionais autônomos com pelo menos seis meses de atividade ligada à cultura no Centro Antigo e/ou nos bairros do entorno, a exemplo de artesãos, artistas plásticos e circenses, dançarinos, cartunistas, compositores, cenógrafos, costureiras, desenhistas, escritores, fotógrafos, programadores visuais, músicos e estilistas.

PS: Peço paciência aos meus leitores quanto ao ritmo de atualizações do blog. Estou de férias, mas vou procurar mantê-lo em dia…

“Balanço positivo” do Turismo não convence

 

Que me desculpe o secretário de Turismo, Virgínio Loureiro, mas o “balanço positivo” das ações da secretaria este ano não me convenceu e acho que a ninguém. A ânsia para mostrar serviço parece ter contaminado quase todo mundo neste governo – vide os “feitos” divulgados pelo secretário Luiz Otávio Gomes -, mas não achei que a pasta de Turismo estivesse cedendo a esse tipo de pressão.

 

Pelo que pude perceber a maior conquista da equipe de Virgínio Loureiro foi ter profissionalizado uma secretaria que até então era uma bandalheira. Isso já é um grande avanço. Colocaram a casa em ordem, reuniram gente da melhor capacidade técnica e produziram o material de divulgação mais bonito que já vi por aqui. Além disso, formataram produtos e definiram as motivações.

 

Pronto! É isso! Porém, ao invés de se centrar nessas realizações, a apresentação da última terça-feira tentou mostrar uma realidade que não existe. Por exemplo, um crescimento de 5,5% no fluxo de turistas é nada comparado ao desempenho das outras capitais nordestinas que ampliaram em 100%, 150% o volume de passageiros desembarcados.

 

Além disso, fomos o único Estado a ver o número de visitantes estrangeiros declinar ao invés de crescer com a construção do novo aeroporto. A explicação do secretário é, no mínimo, questionável: “eles estão vindo por Recife”. Virgínio só não explicou como se quantifica essa entrada de estrangeiros por terra. “Pelos hotéis”, garantiu.

 

Em relação aos investimentos, outro fiasco. Era a única lâmina da apresentação que não tinha dados concretos, mas mencionava viagens a outros países para tentar atrair empresários. Sobre o Ondazul – que deveria mudar de nome de tão cármico que se tornou – Virgínio se limitou a dizer que “está resolvido!”. Como, eu não sei.

 

Para mim, sobra competência na pasta do Turismo, mas falta a sabedoria de olhar para trás e tentar não repetir os péssimos hábitos da gestão Lessa/Abílio. Se não tem o que mostrar, não mostre. Se só tem projetos, expectativas e conjecturas, aguardem para mostrar os resultados. Resolver os inúmeros problemas do turismo em Alagoas é uma tarefa muito, muito árdua e acho que ninguém está esperando soluções milagrosas…

Estado faz maratona de reuniões para pensar a AFAL

 

Acompanhei ontem uma reunião para discutir a Agência de Fomento. Estavam lá representantes do BID, do BNDES, do Ministério do Desenvolvimento Social, Sebrae, governo do Estado e alguns especialistas. Na pauta do dia: em que área os recursos da AFAL devem ser aplicados, onde a agência deve atuar?

 

Falou-se em substituição produtiva das importações, em microcrédito para tirar a população das redes de proteção social e em “tecnologias sociais” como a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), ação criada na Paraíba e que já encontra eco em três municípios daqui.

 

Entusiasmado com o Pais, o secretário Sérgio Moreira acha que esse pode ser um caminho promissor. “Em três anos conseguiríamos dar renda a 500 mil alagoanos. Seria uma revolução por meio da inclusão produtiva”, disse.

 

A reunião me pareceu bem produtiva e até provocou debates calorosos em torno dos programas de transferência de renda, que são os principais responsáveis pelo aumento do consumo e do poder de compra das classes mais baixas. A preocupação do BID é traçar um plano em cima da permanência de programas como o Bolsa-Família sem saber quanto tempo ainda eles vão existir.

 

A resposta veio do economista Cícero Péricles e do representante do MDS, Flávio Castro, que argumentaram que essas políticas públicas – como microcrédito e Pronaf – não são novidades no Brasil e que esses recursos que circulam com os programas não deixarão de existir. “A transferência de renda não começou no governo Lula, somos bem menos originais do que gostaríamos de ser. Esses programas sociais não são uma agenda partidária que acaba nas eleições”, disse Flávio.

 

Pedro Verdino, do Banco do Cidadão, defendeu o que considero que deveria ser o foco da AFAL – a criação de condições para gerar novos atores empresariais. Identificar entre os excluídos quem pode empreender e estimular/fortalecer a produção agrícola pode mudar a cara desse Estado. Não sei se a agência poderá ter um raio tão abrangente, mas deveria.

 

No mais, acho que vale registrar a nulidade da participação do BNDES na reunião. Pelo menos durante o tempo em que estive lá, a representante do banco mostrou não entender nada de Alagoas, nem como pode atuar no âmbito agência.

 

Apesar de saber que ainda há um longo percurso até a AFAL estar atuando plenamente, é extremamente positivo ver que há seriedade e planejamento em torno do projeto, que talvez seja grande demais para uma secretaria só e mereça uma articulação mais forte e envolvimento maior do governo como um todo.

A má gestão da Ceal tira o meu sono

Ontem, pela segunda noite consecutiva, faltou energia por longas horas na região de Mangabeiras. Antes de dormir, vi que uma chuva fininha começava a cair e – inevitavelmente – pensei: “tomara que não falte luz!”. Para o azar meu e dos outros moradores dali, por volta de onze da noite as “tabocas” dos postes começaram a estourar.

Pronto. Foi aberta a temporada de apagões do verão. Todo ano é assim e o pior é que a administração da Ceal nos faz acreditar que esse é um problema inevitável e que a culpa é de tudo – da chuva, do sal, do sol – menos da péssima gestão em que a distribuidora está mergulhada anos a fio.

Já fiz um monte de matérias sobre isso e gente lá de dentro da Ceal me disse que é preciso substituir os equipamentos que ficam na área litorânea por um tipo mais caro. Como a empresa não tem como fazer o investimento os verões seguem com paliativos e a solução definitiva nunca chega.

Não sei se foi esse o problema de ontem ou se foi “sobrecarga” no sistema. Mas, independente da causa, há solução. E o problema não é só de dinheiro, é de gestão.

A Ceal é uma empresa federalizada que não conta com a liberdade e a agilidade da iniciativa privada. Além disso, o ingrediente político ali dentro é muito mais forte do que o viés profissional [que visa o lucro, o ganho de mercado] e onde é muito mais importante abrigar funcionários recomendados do que uma gestão competente.

O mais engraçado é ver o Joaquim Brito, presidente da companhia, dando entrevistas para falar sobre as “conquistas” da Ceal. Quais? O imenso prejuízo realizado no ano passado, as intermitentes interrupções no fornecimento de energia ou as licitações suspeitas citadas pela Operação Navalha?

Bom, só me resta reclamar e me abismar com o que vejo. No mais, vou torcer – junto com os moradores de Mangabeiras e Stella Maris – para conseguir dormir a noite inteira hoje, sem interrupções. (…) E sonhar que tenho um gerador…