Carrefour nega compra de terreno da Fives Lille

 

O grupo francês Carrefour negou que tenha fechado a compra do terreno da Fives Lille, no Tabuleiro do Martins, como foi divulgado pela imprensa na semana passada. Segundo a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico que acompanha as negociações da vinda do varejista para Maceió, a empresa afirmou que ainda está conversando com proprietários de áreas disponíveis e que não há nada oficializado nesse sentido.

 

A versão do Carrefour para a vinda de duas unidades – uma de marca própria e outra sob a bandeira Atacadão – continua a mesma. Os planos de investimentos só serão concretizados no ano que vem por causa do prolongamento da procura por terrenos na capital alagoana.

 

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, chegou a dizer, no início deste mês, que as negociações para compra da área da Fives Lille foram suspensas por causa de impedimentos legais. Pode até ser que a área venha abrigar uma loja da marca, mas, oficialmente, a informação que vem de lá ainda é: “estamos procurando”.

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Inpar firma parceria com a Record para atuar em Alagoas

A construtora InPar firmou parceria com a Record Incorporações para atuação no mercado imobiliário de Alagoas e Rio Grande do Norte. A expectativa é de gerar lançamentos de R$ 200 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) por ano. 

Bem posicionada nos dois estados da região Nordeste, a construtora Record terá 30% de participação nos empreendimentos resultantes da parceria. 

A Inpar também firmou recente parceria com a Tibério Construções e Incorporações para atuar no mercado residencial em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A previsão de VGV é de R$ 2 bilhões entre 2008 e 2010. 

Tudo continua igual

Vejam essa matéria publicada em maio do ano passado [vale lembrar que nada mudou desde então]: 

   

Ingrediente de boa parte das receitas da culinária regional, o queijo coalho é uma iguaria quase obrigatória na mesa do alagoano. O que muita gente ainda não sabe é que comer esse produto hoje, muitas vezes, pode ser uma séria ameaça à saúde. A maioria das marcas de queijo coalho comercializadas em todo o Estado é imprópria para o consumo.

 A maioria dos laticínios em funcionamento em Alagoas não possui um equipamento básico para qualquer empresa de lácteos operar, o pasteurizador. Máquina que tem como função matar germes, bactérias e livrar o leite de doenças do gado – como tuberculose bovina, mastite e brucelose -, o pasteurizador é algo raro de ser encontrado nessas fábricas.

Sem as mínimas condições sanitárias, essas empresas estão oferecendo ao alagoano um queijo infestado de agentes nocivos à saúde. E o pior: a população não tem nem como se defender porque não há como identificar qual marca é própria ou não para o consumo. Comer um queijo de coalho assado na brasa na orla de Maceió ou no café da manhã com pão pode significar estar abrindo as portas para uma série de doenças.

 

Quem faz o alerta é a Vigilância Sanitária do Estado que faz uma projeção assustadora: cerca de 90% dos laticínios alagoanos estão trabalhando de forma irregular. “Estão enganando o consumidor! O leite tem que ser pasteurizado e não é isso que vem acontecendo”, diz o coordenador adjunto, Josias Pimentel.

 

Segundo ele, apesar de estar gravado no rótulo de muitas marcas que o ingrediente principal do queijo é o leite pasteurizado a população não pode confiar. “O consumidor está, sem saber, correndo o risco de pegar uma tuberculose, uma brucelose ou de comer queijo com uma grande quantidade de fezes”, avisa Pimentel.

 

Quem poderia evitar esse problema de saúde pública colabora para deixar a população ainda mais indefesa. O órgão de inspeção de produtos de origem animal do Estado, responsável por fiscalizar essas indústrias, libera o registro autorizando o funcionamento dos laticínios mesmo estando irregulares. Ou seja, o fato de um produto ter no rótulo o número do Selo de Inspeção Estadual (SIE) não garante que ele seja de boa procedência como teria obrigação de ser.

 

Quem admite isso é o próprio chefe do setor de inspeção animal da Secretaria Executiva de Agricultura (Seagri), Cícero Cavalcante, que alega que um pasteurizador é um equipamento muito caro e a maioria não tem condições de comprar. Por isso, acha que o Estado não pode exigir muito dessas empresas, mesmo sabendo que isso prejudica o consumidor. “Oficialmente, não pode ter o registro sem o pasteurizador e quem não tem não pode comercializar, mas hoje, aqui em Alagoas, pode tudo, né?”, observa.

 

Segundo ele, o Estado dá o registro e estabelece um prazo de noventa dias para o empresário se adequar. Caso isso não ocorra, o registro é cancelado. Nesse meio tempo, a fábrica segue normalmente comercializando o queijo. Além disso, Cavalcante não relatou sequer um caso em que o registro foi suspenso pela falta da compra do equipamento.

 

O coordenador da Vigilância Sanitária, Josias Pimentel, acusa o Estado de irresponsabilidade. “O Estado está sendo negligente em dar o SIE sem qualquer critério. Se você come queijo de vaca com mastite e fica doente quem vai se responsabilizar? Esses laticínios deveriam estar fechados!”, diz.Panela substitui pasteurizador

 

Bem diferente da inspeção do Ministério da Agricultura, que, para liberar o SIF (Selo de Inspeção Federal) faz um levantamento criterioso e tem em cada estabelecimento veterinários para fazer a fiscalização diária da fabricação dos produtos, o órgão estadual responsável pelas indústrias de produtos de origem animal e vegetal faz vista grossa para as inúmeras exigências feitas – no papel – pela Secretaria de Agricultura.

 

Oficialmente, entre documentação e regras básicas, o fabricante para receber a licença de implantação tem de cumprir com 23 exigências mínimas. Entre elas está o pasteurizador, imprescindível para a abertura de um laticínio.

 

O setor de inspeção do governo reconhece que a ausência do equipamento não é um empecilho para a obtenção do registro e que mais da metade dos laticínios em funcionamento no Estado hoje estão nessa situação. Só quem não sabe disso é o consumidor.

 

O coordenador do setor, Cícero Cavalcante, diz que a maioria das empresas não tem condição de comprar a máquina, que custa cerca de R$ 15 mil. No intuito de eliminar esse “empecilho” à liberação do registro, a inspeção estadual decidiu que quem aquece o leite numa panela pode funcionar normalmente e comercializar seus produtos. “Aquecendo o leite a uma temperatura de 65º numa panela de inox e depois baixando essa temperatura num banco de gelo não tem problema. Só não pode colocar no rótulo que o leite é pasteurizado”, observa ele, que reconhece que ninguém faz isso e que esse processo artesanal não substitui a pasteurização.

 

Apesar de defender que essa prática diminui os riscos para o consumidor, Cavalcante admite que o Estado não tem como saber se até mesmo esse aquecimento do produto é mesmo feito pelo fabricante, pois não há como fazer a fiscalização desses locais. “Praticamente, sou eu sozinho para fazer todo o Estado. A gente vai de dois em dois meses, mas quando vira as costas não dá pra saber se eles estão cumprindo o acordo ou não”, diz.

 

Para ele, não compensa para o Estado colocar técnicos para inspecionar fábricas pequenas pois os custos são altos. “Para o Estado o que interessa é o imposto. Pagando o imposto é o que importa!”, justifica.

 

Para o chefe da inspeção estadual a existência de tantos estabelecimentos sem as corretas práticas de fabricação em Alagoas é um problema “cultural”. “Enquanto não mudar a mentalidade do pessoal esse problema vai continuar”, raciocina Cavalcante.

A farra do leite

Se o leite que está sob a fiscalização do Ministério da Agricultura é passível de fraudes como a que vimos na semana passada, o que a gente pode pensar sobre o leite produzido em Alagoas que está sob a fiscalização da nossa Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal)? Se hoje olhamos com desconfiança para as caixinhas de Parmalat no supermercado, o que pensar sobre o leite “de saquinho” vendido nas padarias e mercearias da capital e interior do Estado?

Pois é, o negócio é muitíssimo sério e o próprio presidente da Adeal, Hibernon Cavalcante, disse ontem pra mim que a “estrutura” do setor de fiscalização de produtos de origem animal continua a mesma. Pelo que sei, isso é bastante grave já que a referida estrutura da qual tenho conhecimento se limita a um único funcionário.

Isso mesmo. Não há carros, nem fiscais, nem gente no interior que tenha como função fazer o controle das centenas de pequenos latícinios – a maioria de “fundo de quintal” – que jogam nas ruas o leite tipo C e o queijo coalho que todo mundo consome.

Isso já foi alvo de muitas matérias e o Ministério Público chegou até a ensaiar alguma reação, mas depois o assunto sumiu de cena. Essa é uma boa hora pra voltar a discutir o controle dos produtos de origem animal com Selo de Inspeção Estadual (SIE) em Alagoas. Ou vamos esperar que ocorra um escândalo semelhante ao de Minas Gerais?

Microcrédito no Bolsa Família

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 Tornar um recurso necessário, mas estéril, em dinheiro bem aplicado e que pode render bons frutos. Demorou, mas, finalmente, o governo federal enxergou que as redes de proteção social, por elas mesmas, não mudam, de fato, a realidade das pessoas.

O que vale mais: dar condições de andar com as próprias pernas ou carregar, indefinidamente, os mais fracos no colo?

É essa a filosofia do microcrédito que agora o governo pretende transferir para o Bolsa Família. O público-alvo, as onze milhões de famílias que dependem das transferências de recursos da União; a estratégia é abrir contas bancárias de forma simplificada e lhes dar acesso ao crédito.

A intenção, segundo reportagem da Folha de S. Paulo de hoje, é fazer dessa iniciativa uma nova marca do Bolsa Família. “Seria uma segunda fase do programa em que, depois de ampliar o número de beneficiados, o governo agora pudesse dizer que está viabilizando a saída dessas famílias da pobreza e reduzindo ou eliminando a dependência da ajuda oficial”.

A Caixa Econômica Federal operaria a ação, pois é o banco oficial para o pagamento do benefício. Por sua vez, o banco oficial vai devagar com a novidade, pois teme ter prejuízos, como o Banco do Brasil teve com o Banco Popular.

Mas, a necessidade aqui fala mais alto, pois, aqui na região, além do Banco do Nordeste, há muita gente de fora de olho nesse filão, como o mexicano Azteca.

Segundo a matéria da Folha, o governo tem noção de que o microcrédito só funciona com todo um trabalho de orientação, como faz muito bem o Banco do Nordeste, que, na minha opinião, poderia – e deveria – muito bem assumir essa ação na região. Por isso, a Caixa teria que fazer parcerias com o Sebrae e o próprio BNB para “aprender” como lidar com esse produto.

Muitíssimo bem-vinda essa ação. São inúmeras as experiências que mostram que o microcrédito é a saída para pobreza. Quanto mais opções, melhor.

Gafisa compra Cipesa

Após alguns meses atuando em parceria com a Cipesa, a Gafisa mostra que não está brincando de atuar no mercado local e anuncia a compra de 70% da maior construtora alagoana.

A aquisição foi tornada pública ontem à noite e prevê um aporte de R$ 50 milhões na constituição de uma nova empresa que surgirá da fusão Gafisa-Cipesa.

A construtora alagoana entra com o seu valioso banco de terrenos (uma preciosidade para o setor alagoano, que vem enfrentando a escassez de áreas disponíveis para novos empreendimentos), que equivale hoje a R$ 1,5 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV). São onze áreas espalhadas por todos os segmentos de renda aqui no Estado: um leque bastante amplo para a Gafisa explorar.

A previsão é de que as duas empresas lancem ainda este ano projetos com VGV da ordem de R$ 109 milhões. Além disso, a Gafisa comprará R$ 15 milhões ao longo de doze meses em ações da empresa que surge agora com a fusão.

Essa novidade vai mexer profundamente com o mercado imobiliário local e pode ser o já previsto divisor de águas com a chegada – para ficar – das grandes construtoras de atuação nacional.

Superávit é tendência entre os Estados brasileiros

superavit.gifO superávit de mais de R$ 400 milhões obtido pelo Estado de Alagoas nos primeiros oito meses do ano é uma tendência em solo nacional. Um levantamento feito pelo Estadão apontou que 24 Estados brasileiros conseguiram registrar superávit. Só o Rio Grande do Sul seguiu no vermelho.

O resultado é inédito e o superávit nominal dos 24 Estados – entre eles (pasmem!), Alagoas – soma R$ 13,7 bilhões. Assim como expliquei em algumas matérias sobre o assunto, o Estadão também explicou o que significa isso na prática: “Ocorre superávit nominal quando a receita do ente público – União, Estado ou município – é suficiente para pagar todos os seus gastos correntes, incluindo despesas com os juros das dívidas e os investimentos realizados”.

A explicação do resultado positivo em Alagoas serve para o resto: aumento de receita própria bem acima da inflação, contenção de despesas (o bom e velho contingenciamento tucano) e aumento de repasses da União.

E Alagoas não é o único Estado pobre que teve esse resultado surpreendente. Maranhão chegou a um superávit de R$ 922 milhões, o Piauí de R$ 678 milhões e Sergipe está com um resultado semelhante ao nosso, R$ 400 milhões.