Sete anos sem ferrovia

Sete anos se passaram desde a destruição de parte da ferrovia de Alagoas – que isolou o Estado do resto do país – e, apesar das inúmeras promessas, ainda não é certa a sua recuperação. A Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) ainda não sabe quando as obras de reestruturação do trecho entre Porto Real do Colégio (AL) e Cabo (PE) vão começar.

 

O presidente da CFN, Tufi Daher Filho, esteve aqui em Maceió em maio e anunciou que a recuperação dos 25 quilômetros de ferrovia destruídos pelas chuvas e a melhoria de toda a malha seria iniciada em julho, mas ainda não há qualquer sinal de obra no local segundo o responsável pelo trecho de Alagoas, Alexandre Acioly.  

 

No encontro, este ano, com o governador Teotônio Vilela Filho, o presidente da CFN chegou a dar detalhes do negócio. A obra seria iniciada no mês passado, teria duração de dezoito meses e investimentos previstos de R$ 112 milhões. Cerca de R$ 70 milhões seriam aplicados apenas no trecho de Alagoas, que totaliza 370 quilômetros. O governo estadual não teria contrapartida, daria apenas apoio logístico.

 

Essa não é a primeira vez que a companhia diz que vai investir na malha alagoana. No gestão anterior as obras foram anunciadas algumas vezes. A reestruturação da CFN foi um dos motivos apontados pela direção para o atraso dos trabalhos, que, só no ano passado, foram marcados duas vezes – uma em março e outra em julho.

 

Na época, a falta de entendimento entre os sócios – Vale do Rio Doce, CFN e Bradesco – impossibilitou que o investimento fosse feito de imediato. O resultado disso é que o valor necessário para recuperar o trecho afetado saltou de R$ 5 milhões há cinco anos para os atuais R$ 42  milhões.

 

Os cinco anos de chuvas sem que nada fosse feito na ferrovia resultaram em nada menos que 191 pontos afetados de gravidade considerável. Atualmente, a CFN tem 65 pessoas cuidando da ferrovia em Alagoas para evitar que os prejuízos cresçam ainda mais.

 

A recuperação das linhas férreas nos Estados da região faz parte do Projeto da Ferrovia Nova Transnordestina segundo a companhia. As principais atividades nas obras serão reformas e reconstrução de obras-de-arte (taludes, pontes) e a troca de dormentes e trilhos.

 

A ausência da malha ferroviária em Alagoas prejudicou alguns setores da economia durante esses sete anos e pode trazer ainda mais conseqüências negativas, já que o Estado quer atrair investimentos e, para isso, precisa ter uma boa infra-estrutura logística em diversos modais. As linhas férreas estão entre os modais com menores custos operacionais na exportação de produtos, entre eles, o açúcar.

E o franguinho subiu para o Nordeste…

Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, vai ganhar uma fábrica de embutidos da gigante Sadia. A empresa já recebeu o “sim” do governo para a concessão de incentivos fiscais, mas ainda não tem data para iniciar a construção da nova planta.

 

Informações extra-oficiais dão conta de que o investimento será de R$ 60 milhões e irá gerar cerca de 700 empregos. Além da Sadia, a Perdigão também sonda Pernambuco e também pediu incentivos para construir duas fábricas e uma central de distribuição em Bom Conselho.

 

O investimento da Perdigão será maior – de R$ 180 milhões – e a expectativa é de que sejam gerados 900 empregos. 

Comprar está fácil, difícil é achar imóvel…

Juros mais baixos, dez anos a mais para o financiamento, taxas reduzidas e até a possibilidade de empréstimo consignado para comprar a casa própria. As facilidades para se adquirir um imóvel cresceram significativamente e tornam o sonho cada vez mais perto da realidade para muitos.

 

As novas condições anunciadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) na última terça-feira passam a valer em setembro, mas os planos de muita gente podem ser frustrados pela falta de imóveis populares em Alagoas.

 Segundo o superintendente da Caixa no Estado, Paulo Sérgio Barbosa, o orçamento total para habitação em Alagoas este ano – incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – é de R$ 154 milhões, mas esse dinheiro pode acabar ficando parado no banco porque há escassez de unidades habitacionais de até R$ 72 mil.

Esse tipo de imóvel é o foco do programa de financiamento com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e sua ausência no mercado imobiliário local vem travando as aplicações do banco em Alagoas. “Há uma extrema dificuldade nossa em aplicar recursos do FGTS porque as construtoras não investem em imóveis com valor menor que R$ 100 mil”, afirma o superintendente que não soube dizer a causa da desmotivação das construtoras alagoanas com o público C e D.

 

Paulo Sérgio diz que a Caixa tem procurado conversar com os empresários do mercado imobiliário para que invistam em imóveis mais populares, mostrando que há uma imensa demanda reprimida por habitações de R$ 50 a R$ 60 mil e ressaltando que o banco entra com uma parte do investimento. “O Estado pode perder esses recursos disponibilizados pelo governo federal por falta de projetos”, critica.

 

Enquanto as construtoras locais “pensam” sobre o assunto, o superintendente afirma que a Caixa tem sido procurada por grupos maiores, de fora do Estado, para investir em projetos desse cunho. “Já tem grupos comprando áreas imensas em bairros como Serraria e Tabuleiro para fazer projetos para o público popular”, diz Paulo Sérgio, que garante divulgar novidades nesse segmento até dezembro.

 

O pacote de facilidades no financiamento habitacional anunciado oficialmente pelo banco, em Brasília, anteontem traz boas novidades. Os juros passaram de 8,66% para 8,16% a partir de setembro e caem para 7,66% em janeiro para quem tem FGTS na Caixa. Quem tem conta-salário no banco ainda pode fazer um empréstimo com desconto na folha de pagamento para financiamento de imóvel com os juros mais baixos.

 

O prazo para financiar também foi ampliado, passou de 20 para 30 anos. Vale ressaltar que as mudanças beneficiam aqueles que têm renda familiar até R$ 3,9 mil. Quem ganha mais que isso teve uma redução de juros de 11,4% para 11,3% e o prazo também foi esticado para 30 anos.

Manchetes econômicas

Valor: Governo recria Sudene e Sudam por decreto

Folha: Ganho da Caixa com PAC é suspenso

Jornal do Commercio: Habitação – O principal gasto do brasileiro

O JORNAL: Caixa tem recursos para habitação, mas faltam imóveis em Alagoas

BNDES negocia com BID aporte de recursos para MPEs

 Parece que a intenção do BNDES em ampliar a participação das micro e pequenas empresas na sua carteira de clientes está sendo levada a sério. O banco está negociando um empréstimo de US$ 1 bilhão com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para apoiar o setor.

Há ainda a possibilidade de que o banco abra uma linha para financiar a geração de energia a partir da biomassa.

Se por força dos pequenos empreendedores ou pela estratégia do BNDES, o que se sabe é que o número de operações para MPEs vem crescendo e alcançou 49 mil no ano passado. O número deve saltar para 80 mil este ano, prevê o banco.

O Estado de Alagoas deve sua ampliação nos contratos com o BNDES ao setor de micro e pequenas empresas. Praticamente metade dos recursos liberados nos primeiros seis meses do ano – R$ 18,2 milhões – foi parar nas contas de micro, pequenas e médias empresas.

Os contratos do banco com as MPEs alagoanas avançaram 84% em comparação ao ano de 2006, quando o setor contratou apenas R$ 9,8 milhões.

Devolução de ICMS: justiça tardia, bem vinda e que merece ser copiada

 

Essa bem que podia virar febre em todo país. O governo paulista determinou que, a partir de outubro, todo consumidor (pessoa física ou jurídica) receberá de volta 30% do ICMS que pagou em suas compras.

 

Chamado de “Nota Fiscal Paulista” o projeto faz justiça – tardia, porém muitíssimo bem vinda – ao aliviar parte da pesada carga de tributos embutida em tudo o que se consome. Para receber de volta parte do ICMS pago no ato da compra a empresa tem que recolher o tributo depois. O dinheiro será creditado na conta do contribuinte ou no cartão de crédito.

 

Pode ainda ser usado para abater parte do IPVA e ser transferido para terceiros. Vale um ponto para o José Serra, que diz que a meta é incentivar que os consumidores exijam a nota fiscal e, assim, diminuir a sonegação.

 

O contribuinte poderá acompanhar quanto tem em créditos a receber pela internet. Tem coisa mais moderna?

Notícias econômicas do dia

O JORNAL: Caixa estica prazo de financiamento

Gazeta de Alagoas: Caixa anuncia facilidades para a casa própria

Diário do Nordeste: Petrobras defende refinaria em PE

Folha: Compra a partir de outubro devolve ICMS