Centro de Convenções não consegue captar grandes eventos

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A ausência de um Centro de Convenções e de um aeroporto internacional sempre foi apontada como entrave ao desenvolvimento do turismo local. Durante muito tempo, os gestores públicos e a própria iniciativa privada entoaram o discurso : “quando Maceió ganhar o novo aeroporto e o centro tudo vai mudar”. Não mudou.

E no aspecto do turismo internacional piorou. O número de visitantes caiu, indo na contracorrente de todas as capitais nordestinas. Algumas registraram crescimento maior que 100%. Ao que parece, o centro e o aeroporto não eram a tábua de salvação do turismo local. Conversei com o atual superintendente do Centro de Convenções, Francisco Pinto, sobre o assunto.

Reproduzo, a seguir, a entrevista sobre o desafio de captar grandes eventos para o centro, que agora passa a ter gestão compartilhada com a Secretaria de Turismo. É uma tentativa do Estado de fazer valer a estrutura que temos ali e que está sendo sub-aproveitada com shows de axé e eventos locais.

O centro de convenções de Maceió tem capacidade para abrigar grandes eventos e é uma antiga reivindicação do trade local. Essa estrutura está sendo aproveitada em tudo o que oferece?

O Centro Convenções, no nosso conceito, abriga eventos de médio e pequeno porte. Considerando que, nos padrões brasileiros, os grandes eventos acontecem em São Paulo e Rio de Janeiro, ou seja, para se ter uma idéia de dimensões o Anhembi, em São Paulo tem área total de exposição de 71,4 mil metros quadrados. Nossa área de exposições 6,3 mil metros quadrados. O auditório do Anhembi tem capacidade para 2,5 mil pessoas o teatro Gustavo Leite tem capacidade para 1,2 mil pessoas. No entanto, considerando nossa capacidade hoteleira, poderia considerar que temos um tamanho adequado. Com relação à estrutura, ao nosso ver, o CCEM tem pouca modularidade, geralmente, há dificuldade na convivência de eventos simultâneos, nossa pauta acaba sendo restritiva. Em breve, precisamos repensar nosso tamanho e estrutura, porém isso dependerá muito da nossa capacidade hoteleira, pois não adianta crescermos se a rede hoteleira não for ampliada.

É difícil captar grandes eventos? Que ferramentas Maceió tem na hora de ir para a briga com Estados como a Bahia e o Ceará?

Os grandes eventos geralmente são decididos com pelo menos 2 anos de antecedência. Perdemos muita coisa, teremos que ser muito eficientes. Nosso diferencial será observado por nossa capacidade organizacional e nosso poder de convencimento na hora da captação. É um mercado extremamente competitivo e o Nordeste, de certa forma, apresenta as mesmas seduções em todos os Estados. Teremos que ser muito bons para sermos diferentes. Estaremos – em parceria com o Convention Bureau – iniciando um planejamento estratégico de captação para os próximos 4 anos. Nossa diretoria Comercial está mapeando todos os possíveis parceiros locais como: associações e conselhos profissionais. O próprio governo pode ser captador e, principalmente, o segmento corporativo, que tem uma flexibilidade maior de decisão e um prazo menor para fazê-lo. Com um bom planejamento recuperaremos o que foi perdido. Também estamos iniciando um planejamento para gerar eventos, eventos do tamanho regional que agreguem valor, principalmente ocupação de leitos. Às vezes, acontecem eventos locais que ocupam o Centro mais não cumprem a função de ocupar leitos, o que seria o principal objetivo do centro, ocupar leitos na baixa temporada.

Quantos eventos considerados de grande porte o centro abrigou este ano? Qual a meta?

Abrigamos alguns eventos de porte, porém, todos com características locais. Costumo dizer que o evento ideal é aquele que coloca em Maceió 3000 pessoas que vêm para cá com todas as despesas pagas e que ocupa o Centro em toda a sua estrutura, ou seja, Teatro, auditórios, salas temáticas e pavilhão de exposições, preferencialmente ocupando 2000 quartos. Nossa meta é preenchermos a pauta do CCEM com o máximo de eventos com estas características.

E eventos com público estrangeiro?

Não aconteceram este ano. Aí o trabalho é ainda mais complexo. Iremos por partes, ou seja, regional, nacional… Quem sabe no futuro eventos internacionais? Este é nosso objetivo. Estaremos participando de alguns eventos para abrir essas portas.

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