jump to navigation

A cultura da informalidade Maio 19, 2009

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

O projeto Microempresa Social, criado ainda no governo Lessa e extinto na atual gestão, que tinha como bandeira a “legalização” dos informais, ganhou um substituto. A Lei do Microempreendedor Individual, sancionada no final do ano passado, entra em vigor em 1º de julho e, com isso, a Secretaria de Fazenda – que sempre foi reticente em relação ao projeto anterior – espera que 1,5 mil negócios saiam da ilegalidade.

A exemplo do que a Federação Alagoana da Micro e Pequena Empresa (Fampec) fazia, a Sefaz vai peregrinar por quarenta municípios para convencer a população de que a formalização pela nova lei está, de fato, ao alcance de muitos e que a intenção do governo não é apenas a de arrecadar mais impostos.

Tarefa árdua a de mostrar a donos de mercadinhos, quitandas e “portinhas” espalhadas Alagoas afora que do nada em tributos que pagam e gozando de uma liberdade ampla e irrestrita em seus estabelecimentos informais, mexer no bolso para pagar INSS, ICMS e outras taxas é uma vantagem.

Analisemos a experiência da Microempresa Social que conseguiu enquadrar mais de três mil pequenos negócios informais. Esse feito só ocorreu porque não se tratava de uma formalização de fato. Todos continuavam sem cumprir com as obrigações principais. Por isso, o atual governo nunca a achou interessante. Era uma legislação cômoda que não apontava para outros patamares – a adequação ao Simples, por exemplo – e acabava por viciar o empreendedor à situação.

O que precisa ser levado em conta é que mais do que as dificuldades em carregar imenso peso de ser empresa legalizada, a informalidade é um questão cultural no País. O brasileiro acostumou-se a fazer um “puxadinho” na frente de casa e considerar que aquilo ali só lhe diz respeito, afinal de contas, é uma extensão do seu lar.

Além disso, há o maior entrave que é o educacional. O grau de informação da maioria dos empreendedores informais é baixíssimo. A verdade é que muita gente não consegue mesmo “alcançar” o nível de complexidade de tantas obrigações legais. E enquanto o governo produz a cada dia uma estratégia diferente para fisgar os informais, a cada esquina surge um novo pequeno negócio que tem como grande missão ser uma saída ao desemprego e tirar da miséria uma ou mais famílias. E isso precisa ser feito de qualquer forma, legal ou ilegalmente.

A Cide e suas mil utilidades Maio 15, 2009

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

Amargurados – e desesperados – com a queda brusca nas transferências federais, governadores de todo país [principalmente aqueles cujos Estados que governam são dependentes do FPE] vêm se articulando para tentar conseguir mais recursos da União de todas as formas possíveis.

A bola da vez é a Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico, a popular Cide. Os secretários da Fazenda armam um blocão para cobrar do governo a recomposição do tributo ao mesmo nível de maio do ano passado, quando era de R$ 0,28 pelo litro da gasolina e 0,07 pelo de óleo diesel. Hoje, a contribuição foi reduzida a R$ 0,18 e R$ 0,03.

O argumento é o mais previsível: compensar os Estados pela redução de quase 90% nos repasses constitucionais. Tecnicamente, os secretários sustentam que não há mais motivos para manter a redução já que ela ocorreu para neutralizar o aumento do preço do barril de petróleo, que está custando menos que a metade do valor praticado em 2008.

É um pleito justo, mas a ocasião é oportuna para lembrar os usos constitucionais da Cide, que, na prática, é fonte de recursos para financiar o pagamento de despesas de todas as naturezas; assim como acontece com os royalties.

A finalidade desse dinheiro é investir em ações ligadas a melhorias no setor de transportes e meio ambiente, mas não é isso o que ocorre na prática. Se esses recursos fossem bem aplicados as estradas não seriam tão precárias, nem o meio ambiente tão danificado. Tomara que a intenção dos governadores ao reivindicar a recomposição da Cide seja a de aplicá-la como manda a sua legislação.

As condicionantes da ajuda federal aos Estados Abril 22, 2009

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

O dinheiro que o governo federal disponibilizará aos Estados para repor as perdas do FPE tem destino pré-definido: programas de investimento. A linha de crédito de R$ 4 bilhões – da qual Alagoas terá direito a R$ 166 milhões – vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, e será operada pelo BNDES.

As condições são as seguintes: taxa de juros de 8,25% ao ano, oito anos de prazo para financiar e carência de um ano para pagar; taxa do empréstimo será de 1%, bem abaixo dos 3,25% cobrados pelos bancos; o pagamento será feito trimestralmente durante a carência e o prazo final para contratar o financiamento é até o último dia deste ano.

O crédito extraordinário equivale a um mês do FPE e tem como objetivo oficial a viabilização de despesas de capital, ou seja, as obrigações com investimentos. Cada Estado tem como limite para o valor do empréstimo o volume de recursos proporcional a sua cota no fundo.

Para receber o dinheiro cada governo terá que condicionar sua aplicação a um projeto de investimento e precisar ter o Estado dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. Porém, como o governo federal anda benevolente, a União pode esperar quem está descumprindo a legislação se adequar até o dia 31 de dezembro.

A Bahia lidera o ranking de recursos, com um crédito R$ 375,8 milhões, o Distrito Federal tem o menor limite, de R$ 27,6 milhões. Já Alagoas é o décimo primeiro da lista.

Resta agora saber se o governo do Estado levará à frente a operação de empréstimo com o Bird, de R$ 320 milhões, ou se vai preferir optar pela linha extraordinária da União. Certamente, a primeira opção sai ganhando em vantagem, já que o maior interesse de Téo Vilela é quitar uma parte da dívida com o próprio governo federal e os recursos do pacote não poderão quitar ou financiar despesas correntes ou contraídas junto à União.

Decat, o homem que “enquadrou” a Ceal Abril 20, 2009

Posted by Milena Andrade in 1, Energia.
add a comment

18lcbflavioducat09

Em junho do ano passado, o engenheiro Flávio Decat, então presidente da Eletrobrás, aceitou a árdua tarefa de por ordem nas sete distribuidoras de energia estatais que conseguiram passar pelo funil das privatizações nos anos noventa.

Decat e seis dos mais renomados técnicos do setor assumiram a gestão da problemática e deficitária Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e das elétricas Ceam (AM), Manaus Energia (AM), Cepisa (PI), Ceron (RO), Eletroacre (AC), Boa Vista Energia (RR). A tarefa do grupo de elite indicado pela Eletrobrás era a de tirar essas empresas da condição de deficitárias. Juntas, elas representavam na época nada menos que um prejuízo de R$ 1 bilhão.

Por aqui, a Ceal vinha de uma gestão extremamente viciada, contaminada pela ingerência política em detrimento de uma administração técnica, que resultou em anos consecutivos fechando no vermelho.

De junho a dezembro de 2008, sob a mão forte da Eletrobrás, a empresa conseguiu reverter o prejuízo de R$ 22 milhões e voltou a fechar no azul – R$ 39 milhões – depois de três anos de déficit. Em entrevista a O JORNAL, Flávio Decat, falou das mudanças implementadas na Ceal que levaram à recuperação, na estratégia adotada para acabar com os vícios arraigados na cultura das estatais, nos investimentos que serão feitos nos próximos três anos e ações para modernizar a gestão da companhia, como um programa de incentivo ao desligamento que tem como meta renovar 30% do quadro.

A Ceal vem de uma sucessão de maus resultados; em 2008, conseguiu ter o primeiro lucro em três anos. A que se deve esse desempenho?
Em primeiro lugar, um desejo obstinado em buscar os resultados que a sociedade espera, compromisso maior de uma empresa pública. Para transformar desejo em realidade, estabelecemos diretrizes empresariais e métodos de trabalho que, aplicados pelos administradores e empregados, propiciam uma melhoria continuada de receita e custos, focadas na qualidade do atendimento aos consumidores e na empresa de referência estabelecida pela agência reguladora, Aneel, para a concessão em Alagoas. Assim, conquistamos uma redução na inadimplência – sendo a mais significativa a negociação com a Companhia de Saneamento de Alagoas – uma pequena redução em perdas (0,79%) que proporcionou uma receita de R$ 7 milhões, melhores preços na aquisição de bens e serviços, dentre outras ações.

Apesar de ter fechado no azul, a companhia ainda possui um índice muito alto de perdas elétricas – mais de um terço. Como se conseguiu obter lucros com perdas tão volumosas?
Realmente temos uma perda expressiva de 30% da energia que adquirimos para atender ao mercado de Alagoas. A redução que obtivemos em 2008 ainda é tímida, razão pela qual vamos investir cada vez mais para chegarmos a um índice de perdas elétricas aceitáveis. Um dos maiores problemas que temos é o furto de energia que encarece a conta para todos e limita a realização de investimentos em melhoria e expansão.

Qual a estratégia que nova gestão tem para combater esse problema?
Estamos implementando um Plano de Ação que contempla a regularização de unidades consumidoras sem medição e perto de 11.000 ligações clandestinas, construção de redes especiais anti-furto – 110 km, telemedição em pontos estratégicos, recursos de telemetria, substituição de mais de 1700 caixas de medição e mais de 20.000 medidores eletromecânicos por medidores eletrônicos, sistema de prospecção de unidades com irregularidade, pontos de iluminação pública e sistema semafórico e campanhas educativas e de combate ao desperdício.

O que mudou dentro da administração da Ceal sob a gestão da Eletrobrás?
A Eletrobrás constituiu uma diretoria de Distribuição que assumiu, como primeiro desafio, reverter, no prazo mais curto possível, o prejuízo bilionário quando somados os resultados em 2007 das seis empresas que foram incluídas no seu portfólio de negócios. Para vencer tal desafio, com clara tendência de agravamento para o futuro, constituímos uma equipe de administração com pessoas experientes, estabelecemos um plano de ação para curto e médio prazos, comum para todas as seis empresas, considerando quando necessário as especificidades de cada uma, promovemos compras integradas, aportamos recursos para deixá-las adimplentes junto aos fornecedores. Enfim, implantamos um modelo de gestão integrada que está orientado para a gestão por processos, focada em resultados.

Como a Eletrobrás está combatendo a tradicional interferência política dentro da Ceal e das outras estatais que passou a gerir?
Esta é uma preocupação que não vem existindo, pois estamos cumprindo uma decisão política emanada diretamente do Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, de melhorar a gestão das empresas distribuidoras de energia elétrica com uma gestão profissional, com técnicos experimentados do setor elétrico. Esta decisão foi compartilhada com os governadores dos estados envolvidos. As soluções técnicas tem tido o aval e o reconhecimento do Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e do Presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz.

Houve redução dos numerosos cargos de comissão na Ceal?
Até houve redução, mas isto não é o mais expressivo. O que importa no que se refere à força de trabalho é o dimensionamento adequado, a divisão do trabalho, o desenvolvimento qualitativo e a motivação para bem cumprirmos nosso papel, atendendo as responsabilidades que são atribuídas a cada um dos que atuam nas empresas, dentre elas a Ceal. Estamos em fase de implementação de um programa de incentivo ao desligamento que deverá englobar até 30% do atual quadro de pessoal e abrir oportunidade de trabalho para pessoas mais jovens que por certo absorverão a experiência dos mais antigos, principalmente daqueles que honram o contrato de trabalho que lhes foi oportunizado.

Em que áreas da empresa houve investimento e qual o plano para os próximos anos?
Em 2008, investimos R$ 90 milhões. Para 2009, os aportes de recursos são de R$ 257 milhões, distribuídos no Programa Luz para Todos (R$104,5 milhões), Ampliação do Sistema de Distribuição Alta Tensão (36,0 milhões), Ampliação da Rede Urbana de Distribuição Média e Baixa Tensão (44,0 milhões), Redução de Perdas Técnicas e Comerciais (R$ 27,0 milhões) e Infraestrutura de Apoio (45,5 milhões). De 2009 a 2013, temos investimentos previstos da ordem de 900 milhões.

O senhor está animado com o desempenho das estatais? O que estava errado nessas distribuidoras?
Estou animado pelos desafios que se renovam e pelos resultados que já conseguimos em curto prazo, revertendo um prejuízo de mais de R$ 1,2 bilhão nas seis distribuidoras para um lucro de R$ 53 milhões, em praticamente sete meses de trabalho. Para este resultado a Ceal contribuiu com um lucro de R$ 39 milhões.

Quais as chances dessas empresas se tornarem tão competitivas quanto as da iniciativa privada?
Elas com certeza, a médio prazo, serão competitivas, mesmo considerando limitações que são impostas a empresas públicas quando da comparação com empresas da iniciativa privada.

E quais as chances de se tornarem atrativas ao setor privado? A venda dessas estatais é uma possibilidade?
Os serviços de distribuição de energia elétrica passaram a incorporar o portfólio de negócios da chamada Nova Eletrobrás, razão pela qual não cabe falar em venda de ativos de distribuição. Minha expectativa é que nossos consumidores inadimplentes paguem os valores devidos pela prestação de serviço, fato que somado à redução do furto de energia, dará melhores condições financeiras para a Ceal participar do esforço de desenvolvimento do Estado de Alagoas.

Enfim, uma boa notícia: Alagoas está fora da zona de risco desconhecido da aftosa Abril 15, 2009

Posted by Milena Andrade in Agronegócios.
add a comment

A pecuária alagoana, enfim, recebe uma boa notícia. A mudança de classificação do Estado de Alagoas de Zona de Risco Desconhecido para Zona de Risco Médio é uma daquelas novidades que soa até estranho para quem está acostumado a acompanhar de perto a luta para tirar o setor local da condição de “ilha” no país e todas as péssimas consequências que criadores e industriais sofreram ao longo do tempo.

O telefonema que o ministro Reinhold Stephanes deu ao governador Teotonio Vilela Filho hoje deve ter soado como música aos ouvidos desesperados por boas novas no meio de toda essa crise. Certamente, o governo saberá explorar muito bem a conquista histórica.

O resultado confirma o discurso feito pelo presidente da Adeal, Hibernon Cavalcante, durante todo esse tempo. “Estamos fazendo o dever de casa”, dizia sempre. E também é um reconhecimento aos esforços pela criação e estruturação da agência.

Notícia dada e comemorada, agora é hora de arregaçar as mangas para seguir avançando rumo à zona livre.

Produção de energias alternativas em Alagoas ainda é utopia Abril 15, 2009

Posted by Milena Andrade in Energia.
add a comment

Apesar do governo ter colocado em pauta a questão energética e seguir tentando buscar abrir caminhos para a exploração econômica do setor em Alagoas, a produção de energia renovável no Estado ainda está muito longe de se tornar uma realidade.

A julgar pelos eventos sobre o tema e pela produção dos “atlas energéticos” pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico pode até parecer que somos uma potência das energias alternativas e que só resta explorar. Porém, esse mercado é extremamente espinhoso porque os preços de geração dessas energias perdem de longe em competitividade para a boa e velha hidroeletricidade.

Na próxima sexta, o Estado entrega o atlas da energia solar com o mapeamento do potencial alagoano para esta fonte. Já existe também um da energia eólica. Apesar do esforço de documentar e tentar atrair investidores, o secretário-adjunto e superintendente de Minas e Energia, Geoberto Espírito Santo, reconhece que os dois mercados são inviáveis no momento.

“Queremos atrair investidores pra cá, mas as dificuldades são grandes. Como não há sinalização na matriz energética brasileira em realizar os leilões de energia eólica com regularidade não há fabricantes de equipamentos e tecnologia. Há apenas um que fornece peças a preços extremamente altos”, explica.

Sobre a energia solar, Geoberto é categórico: “Gerar energia elétrica com sol é inviável hoje, pois ela custa oito vezes mais que a hidrelétrica”, diz.

O que estaria mais próximo da viabilidade econômica em Alagoas hoje seriam as usinas de açúcar com a geração de energia por meio da biomassa. Porém, como sempre, para que elas se tornem eficientes na geração é necessário um investimento da ordem de R$ 100 milhões em cada unidade industrial.

“Hoje, as usinas que produzem energia com bagaço de cana aqui em Alagoas geram 24 killowatt/hora por tonelada de cana, quando o ideal é 90 kw/h”, afirma o secretário-adjunto.

Além de tudo isso, há a crise atual, em que ninguém do setor sucroalcooleiro está com capacidade de endividamento e o problema técnico de termos um período de colheita de seis meses. Seria uma produção de energia sazonal.

Com tantas dificuldades, tudo indica que, por um bom tempo, este mercado aqui em Alagoas fique restrito aos mapas energéticos produzidos pela Sedec.

“Pacote de bondades” anticrise também inclui Estados Abril 15, 2009

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

Na mesma semana que anunciou a ajuda de R$ 1 bilhão às prefeituras e fez a promessa de manter no mesmo patamar os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o governo federal deve abrir uma linha de financiamento para socorrer os Estados.

Quem perdeu receita de FPE poderá ser ajudado pelos bancos oficiais, mas não dá para sair festejando. O que vai definir o volume do empréstimo é o famigerado limite de endividamento de cada Estado e o nosso é bem pequeno.

Na semana que vem, os ministros do Planejamento e da Fazenda se sentam com os governadores para iniciar conversas. O tom do encontro será o de analisar a margem do plano de ajuste fiscal de cada Estado. A maior preocupação é não prejudicar as metas do ajuste.

Muito provavelmente, o Estado de Alagoas deve ficar de fora do pacote de ajuda, pois já está negociando um empréstimo de porte – R$ 340 milhões – com o Banco Mundial.

O financiamento será feito pelo BNDES, Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste.

Eletrobrás reverte prejuízo da Ceal, mas perdas elétricas continuam altíssimas Abril 14, 2009

Posted by Milena Andrade in Energia.
add a comment

Após subir em 2005, quando conseguiu romper com sete anos de prejuízos; descer vertiginosamente no ano seguinte com um rombo surpreendente de R$ 136 milhões e, em 2007, subir mais um pouquinho conseguindo reduzir o déficit em 83% (mas ainda assim fechando no vermelho), a Ceal volta a enxergar a luz no fim do túnel.

Pelas mãos da Eletrobrás, a companhia fechou no azul novamente depois de três anos de pura agonia. O balanço publicado nos jornais de hoje mostra um lucro de R$ 39 milhões no ano de 2008. Um ótimo resultado diante do prejuízo de R$ 22 milhões do último exercício da era Joaquim Brito, em 2007.

O bom desempenho talvez seja uma demonstração de que o que realmente faltava na estatal era uma gestão conduzida com mão forte, sem tanta política e permissividade.

Apesar do lucro, um problema ainda continua insolúvel na administração de Flávio Decat – o imenso volume de perdas de energia. Elas chegaram a crescer ainda mais no ano passado e ultrapassaram os 30%. Mais de um terço da energia que a Ceal compra continua indo para o ralo.

Resolver este problema foi, inclusive, colocado como uma das prioridades pelo presidente da Eletrobrás assim que assumiu a gestão da companhia aqui em Alagoas, no ano passado. Com um faturamento de cerca de R$ 800 milhões, a Ceal vem perdendo nada menos que R$ 160 milhões. “Nenhuma empresa pode sobreviver a isso!”, disse na época.

Pois é, mesmo no azul, ainda é cedo para comemorações.

Secretário diz que estratégia é investir no turismo regional Abril 13, 2009

Posted by Milena Andrade in 1.
add a comment

Em relação ao post abaixo, sobre a crise e o Turismo, o secretário de Estado, Virgínio Loureiro, acrescenta que a estratégia que sua pasta (em parceria com o trade) vem desenvolvendo mesmo antes da “nuvem negra” que pairou sobre a economia mundial é justamente a de buscar o mercado regional.

Além disso, ele ressalta que está confiante na manutenção dos investimentos anunciados e que até agora o Estado não recebeu nenhum comunicado de suspensão ou de reestruturação de projetos.

Segue a íntegra da mensagem enviada pelo secretário ao blog:

“A visão sobre o atual momento do impacto da crise econômica no segmento dos investimentos turísticos-hoteleiros e da importância do mercado regional está correta, não só por corresponder à nossa realidade em Alagoas, como sobretudo pela estratégia que vem sendo desenvolvida pela SETUR, em conjunto com o “trade” turístico.

No caso dos investimentos, os recentes contatos realizados por ocasião do evento Nordeste Invest confirmaram a sua manutenção (não tivemos ainda nenhum caso de cancelamento declarado), ainda que com a necessária revisão de prazos e de algumas alterações físicas – por exemplo, a redução do tamanho das casas-residências – face à retração e expectativa de compradores diante da evolução da crise.

Vale ressaltar, contudo, que a expressiva presença de investidores no evento atesta o interesse no potencial brasileiro, e em especial no Nordeste e em Alagoas (com reconhecido e diferenciado ambiente natural. Ainda no item dos investimentos, cabe registrar igualmente a continuidade e proximidade de novos projetos a serem inaugurados nos próximos meses em Alagoas, a exemplo do Radisson Maceió e do Kenoa Beach Resort & Spa e Gunga Poranga, esses dois últimos na Barra de São Miguel.

Com relação aos mercados-alvos, a SETUR vem desenvolvendo, desde o primeiro momento (2007) uma estratégia de marketing que privilegia o mercado regional Nordeste (compreendendo os Estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe e também Paraíba), considerando a proximidade geográfica e a via de acesso terrestre, sem depender das limitações impostas pela malha aérea.

Claro que investimos sempre naqueles mercados tradicionalmente emissores e que possuem vôos regulares ou “charters”, como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e outros novos, como Cuiabá, que tem Maceió como principal destino de praia”.

Virgínio Loureiro

Secretário de Estado do Turismo de Alagoas

Lições que a crise pode ensinar ao Turismo Abril 13, 2009

Posted by Milena Andrade in Negócios.
6 comments

Se a crise vai afetar a enxurrada de empreendimentos anunciados desde o ano passado incansavelmente não pelos investidores, mas pelo governo do Estado? A resposta é: ela já afetou! Mas o que está em jogo agora não é o inevitável efeito de algo externo, superior às vontades e aos interesses do mercado, mas se o setor não pode tirar proveito da crise.

A crise dói quando se olha apenas para a possibilidade de perder os investimentos, mas, muito dificilmente, empreendimentos de grande porte como o do grupo Invest Tur, em Passo do Camaragibe, o lendário ‘Ondazul’, serão cancelados de fato. No máximo, uma parada estratégica ou talvez um realinhamento no perfil do negócio. É bom lembrar que a demanda continua aí e, apesar da crise, o potencial de Alagoas não deixou de ser atrativo, mas terá que esperar mais um pouco pelo “boom” dos mega-resorts e hotéis de seis estrelas.

Neste momento, o ideal para o trade local e para os entes públicos é traçar um plano para se dar bem no momento atual, que, para o turismo não é de todo ruim. O dólar está mais caro, as viagens internacionais também, as pessoas estão mais inseguras. O reflexo disso tudo está aí nos hotéis de Maceió, um prolongamento de uma temporada muitíssimo boa, com altas taxas de ocupação.

É preciso se voltar para o que sempre foi o forte de Alagoas, o turismo regional. Pensar em como trazer visitantes de Estados que não costumam vir pra cá, como os do Norte e alguns dos Sul e Sudeste, como mineiros e gaúchos, é tão importante quanto a pedra fundamental de algum resort estrangeiro. Se for acompanhada e vivida com inteligência, a crise pode deixar valiosas lições e, quem sabe, até valiosos ganhos para o setor.

Carta aos leitores Agosto 3, 2008

Posted by Milena Andrade in 1.
5 comments

Deixo minha função de repórter de O JORNAL, após seis anos, para assumir a chefia da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Planejamento.

Como vocês sabem, o setor privado da economia alagoana é muito menos vigoroso do que gostaríamos e boa parte do que dedicava minhas análises aqui dizia respeito ao setor público. Minha nova missão é de dentro do governo e isso requer comprometimento e alguma esperança de que algo mude (para melhor, claro!).

Sempre primei pela independência de julgamento, o que agora não será possível pelo meu envolvimento profissional. Por isso, e pela busca incansável da honestidade, me despeço – temporariamente, mas não sei até quando – dos meus leitores.

Agradeço pela confiança depositada neste blog nos seus treze meses de existência e espero estar de volta em outro momento da minha vida.

Milena Andrade

Ministro do Turismo assina amanhã contrato do Prodetur em PE; aqui só reuniões Julho 27, 2008

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

 

Na próxima terça, o ministro do Turismo, Luiz Barreto, estará aqui em Maceió. Segundo o site oficial do governo alagoano, haverá duas reuniões – uma com o governador e secretários de pastas ligadas ao setor para discutir projetos de melhorias na infra-estrutura turística do Estado e outra com o trade local.

Importante essa visita, mas é preciso que dela saiam mais do que promessas de apoio e de recursos. Para isso, é preciso que Alagoas se mexa. De nada adianta mostrar as carências e não ter projetos prontos para captação de dinheiro que os viabilize.

Lá em Pernambuco, por exemplo, a visita do mesmo ministro, amanhã, tem um objetivo mais concreto – Barretto assina com o governo estadual um documento que simboliza o ponto de partida do Programa de Desenvolvimento do Turismo Nacional (Prodetur Nacional).

Com isso, a partir de 2009, os pernambucanos terão acesso a US$ 125 milhões para investir em ações como qualificação de mão-de-obra, infra-estrutura turística e recuperação de patrimônio histórico. Desta vez, o governo de lá vai investir no Sertão e no Agreste.

Seria tão animador saber que o ministro do Turismo está vindo aqui para assinar alguma coisa também. Mas, por ora, a visita se limitará às duas reuniões. Pode ser que algo saia delas, mas não é muito provável.

O que não dá para entender é a demora de Alagoas em se engajar para participar do novo Prodetur. Já falei aqui no blog sobre isso e não custa falar novamente, já que as duas primeiras versões do programa – que tinha atuação apenas na região Nordeste – não foram muito bem aproveitadas. Que eu me lembre, o Prodetur I resultou no bairro abandonado de Jaraguá e o II produziu um levantamento cartográfico (!?).

O prazo para a execução do Prodetur Nacional é de quatro anos, contados a partir da assinatura do contrato com o financiador. Quem está à frente do programa desta vez é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que  oferece 60% dos recursos.

Está aí uma boa oportunidade para estruturar não só o litoral e a capital, mas levar infra-estrutura básica e turística a outras regiões do Estado, como o Baixo São Francisco e o Sertão.

Suzano investirá US$ 6,6 bi em fábricas no Nordeste Julho 24, 2008

Posted by Milena Andrade in Agronegócios.
add a comment

O Maranhão e o Piauí ganharão duas novas fábricas da gigante do ramo de papel e celulose Suzano. O valor do investimento é de US$ 6,6 bilhões em três unidades e a meta da companhia é ampliar em 150% o seu volume de produção.

A fábrica do sul do Maranhão será a primeira a operar, em 2013. A do Piauí entra em operação em 2014 e a terceira unidade ainda não tem localização definida. Cada uma terá capacidade para produzir 1,3 milhão de toneladas.

O investimento anunciado se refere ao parque industrial. A base florestal não entrou nessa conta. Nos dois Estados a Suzano deve gastar US$ 600 milhões na aquisição de ativos florestais.

[Pensamento do dia - Edgar Morin] Julho 23, 2008

Posted by Milena Andrade in 1.
add a comment

Não crer mais:

Nas verdades absolutas;

Em Deus;

Na razão endeusada

Mas crer:

Na razão aberta para o irracional e que luta contra a racionalização;

Nas verdades mortais, perecíveis, frágeis, vivas;

Na conquista de verdades complexas contendo incertezas;

Nos momentos de alegria fulgurantes, individuais e coletivos, relacionados ao amor e à fraternidade. Sempre.

CRER SEM CRER NA HUMANIDADE.

Oceanus agora é alvo de investigação do MPE Julho 23, 2008

Posted by Milena Andrade in Governo.
add a comment

 

O Instituto Oceanus – aquele que foi condenado e teve suas atividades encerradas pelo Ministério Público Federal por usar em benefício próprio mais de R$ 1 milhão do governo – terá que se explicar também com a justiça estadual.

A promotoria da Fazenda Pública do MPE iniciou uma investigação que vai apurar se houve ilegalidade na apliacação dos recursos liberados pelo governo do Estado em convênios firmados com a ONG. Ainda não se sabe quanto a gestão Lessa/Abílio (maior incentivadora do instituto) destinou à Oceanus.

O que se sabe é que o governo passado deu de presente uma Mitsubishi (vermelha que circulava com placa oficial) ao Instituto e que até trouxe o presidente do Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, na época, para conhecer os feitos da ONG no litoral alagoano. O BID também deu dinheito a Oceanus, mas diz que está tudo certo com a prestação de contas.

Vamos esperar para ver o que o MP vai encontrar…